Coisas que eu queria saber aos 21

Helio de la Peña cursava Engenharia na Universidade Federal do Rio de Janeiro antes de se tornar humorista

24 Setembro 2013 | 11h16

Foi em 1982. Estava na faculdade de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, quase me formando, e estagiava em uma empresa da área. Paralelamente, fazia com Cláudio Manoel, Marcelo Madureira, Beto Silva e Bussunda o jornal Casseta Popular, que vendíamos no posto 9 e no Baixo Leblon. Morava na Vila da Penha com meus pais, mas eles quase não me viam. Em pouco tempo, me mudaria para Santa Teresa. Estava num momento de transição, buscava independência.

Para me sustentar, além do estágio, dava aula particular de Matemática. Foi um ano de muito Circo Voador. Ouvia a rádio “maldita” Fluminense FM, Celso Blues Boy, Lulu Santos e Lobão. Descobri os grupos de música de humor de São Paulo Língua de Trapo e Premeditando o Breque. Era novidade essa coisa de fazer música engraçada. No Rio, o Eduardo Dusek fazia uma coisa parecida. Lia Rubem Fonseca, Ignácio de Loyola Brandão e Verissimo. Gostava do humor do Monty Python e Ed Murphy.

Acabei a faculdade e fui efetivado como engenheiro. Trabalhei na profissão até 1987, quando fomos contratados como redatores do TV Pirata, da TV Globo. Só não larguei a engenharia antes porque não tinha como sobreviver.

Tinha sido influenciado pelo Pasquim, que era uma referência. As anedotas do Millôr, Jaguar e Ziraldo me formaram. Tínhamos começado a fazer o Casseta na universidade, para os estudantes de Engenharia. Eu, Beto e Marcelo éramos da mesma turma desde 1978. Já atuávamos no movimento estudantil e fazíamos o Casseta Popular. Incorporamos Bussunda e Claudio em 1980 e éramos uma certa resposta ao Pasquim, que havia se politizado demais. A gente não queria se levar tão a sério.

Hoje gosto muito do (Marcelo) Adnet, Chris Rock e Larry David. Há uma liberdade tremenda para o humor, mas também há o espaço para resposta. Antes, as piadas politicamente incorretas eram unilaterais, não havia como responder. Falávamos atrocidades e ficava por isso. Agora, há vários meios de responder isso, judicialmente ou pelas redes sociais. / DEPOIMENTO DO HUMORISTA HELIO DE LA PEÑA A THIAGO MATTOS

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