Clérigo islâmico condena classes mistas em universidade saudita

Autoridades veem a universidade como peça dos planos do reino de se tornar importante núcleo de ciência

AP,

30 Setembro 2009 | 15h28

Um importante líder religioso islâmico criticou uma nova universidade saudita inaugurada pelo rei Abdullah, porque a instituição permite que homens e mulheres assistam juntos às aulas.

 

Após 30 anos, único cinema reabre na Arábia Saudita

 

O xeque Saad Bin Naser al-Shethri, membro do influente Comitê Supremo de Estudiosos Islâmicos foi citado pelo jornal Al-Watan exigindo o fim das classes mistas na Universidade de Ciência e Tecnologia Rei Abdullah.

 

"Misturar é um grande mal e um grande pecado", teria dito al-Shethri, segundo o jornal. "Quando homens se misturam a mulheres, seus corações ardem e eles se desviam do objetivo principal, o estudo".

 

O comentário de Al-Shethri sugere que pode haver forte oposição à primeira universidade totalmente mista e integrada do país.

 

A instituição, de pós-graduação, representa  um investimento de bilhões de dólares e abriu as portas na semana passada. Foi apresentada pelo monarca saudita como um "farol de tolerância". A escola tem laboratórios de última geração, 14º mais veloz supercomputador do mundo e um dos maiores orçamentos de todo o mundo.

 

Autoridades sauditas veem a universidade como peça-chave dos planos do reino de se transformar num importante núcleo mundial de ciência e diversificar e economia dependente do petróleo.

 

Em editorial, o jornal, de propriedade da família real, atacou a fala do clérigo, dizendo que esse tipo de discurso estimula o terrorismo.

 

Mais de 800 estudantes de 61 países já se matricularam na universidade, que pretende chegar a 2.000 alunos dentro de uma década.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.