Claudio Lembo diz o que queria saber aos 21

'Não me ressinto daquela época, mas também não guardei grandes saudades', diz

22 Fevereiro 2010 | 23h33

Claudio Lembo, de 75 anos, é o atual secretário municipal de Negócios Jurídicos da Prefeitura de São Paulo. Lembo, que também governou o Estado, relembra, na seção Coisas que eu queria saber aos 21, a época em que era um "ascendente" no meio dos estudantes "soberbos" da Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Confira:   "A minha vida aos 21 anos era a de um pequeno burguês buscando ascensão. Sou paulistano nascido no bairro do Bexiga. Então, quando entrei na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, havia um pouco de soberba dos estudantes de famílias tradicionais em relação aos "ascendentes", como eu. Se houvesse uma festa, por exemplo, não éramos convidados.   Não me ressinto daquela época, mas também não guardei grandes saudades. Não fiz grandes amigos. Eu era modesto, estudioso. Direito Constitucional e Teoria Geral do Estado eram as matérias de que mais gostava. De manhã, assistia às aulas e à tarde estagiava no escritório do advogado Lauro Malheiros. Tenho a impressão de que os alunos daquela época não estudavam tanto como hoje. Ficavam muito em bares, na Peruada (festa anual dos estudantes da São Francisco). O aluno hoje é mais esforçado, a luta é mais árdua. Antes, havia sempre um empreguinho público para as classes tradicionais.   Uma das coisas que aprendi durante minha época de estudante foi no primeiro ano de faculdade. Era 1954, e Getulio Vargas se suicidou. Os trabalhadores queriam invadir a faculdade. Percebi, naquele momento, que os interesses são conflitantes na nossa sociedade e uma minoria, da qual eu fazia parte, é que comandava o jogo político. Mas eu não fazia política universitária, achava muito frágil e não tinha tempo para isso.   Não tinha dúvidas na época de faculdade: queria ser advogado. Sempre quis. Fui advogado durante muitos anos. Depois fui trabalhar num banco, sempre no setor jurídico. Já a política veio bem depois.   Mais tarde, descobri uma das melhores coisas da minha vida, que é ser professor. A partir de 1968, comecei a lecionar no Mackenzie. Ainda estou lá. Sou professor de Direito Constitucional. A faculdade gosta de preservar os anciãos.   Eu gostaria de ter conhecido naquela época a falta de limites do egoísmo humano. Eu tinha uma certa ingenuidade. Hoje, sou cético." 

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