Cinema e teatro atraem alunos com perfil eclético

O perfil dos freqüentadores de cursos que exploram a linguagem cinematográfica e teatral é mais eclético. Tem alunos de todos os níveis e bolsos. O crítico Inácio Araújo mantém há seis anos um curso particular em que ensina desde as origens do cinema de Griffith ao pós-modernismo de Cronenberg.Tem 45 alunos que, no começo do ano, estavam estudando os primeiros filmes mudos e agora mergulham nas experiências radicais de Orson Welles e no neo-realismo italiano. Ele projeta um filme por aula, seguido de comentários e explicações sobre estilos, época e mise-en-scène.Araújo explica o sucesso de cursos como esse pelo descompasso existente entre o crescente interesse pela linguagem cinematográfica e a desmontagem do aparelho crítico que ajudava os cinéfilos há alguns anos. A ausência de cineclubes e a presença massiva de filmes comerciais no mercado criou um ?gap? entre as gerações que só agora parece diminuir com o advento do DVD, responsável pela recuperação dos clássicos do cinema.?Aos 40 anos, é natural que uma pessoa com formação deficiente procure entender o mundo em que vive, buscando uma baliza para seu aprendizado.?Na contramão dos cursos que atraem os já formados, o diretor teatral Ulysses Cruz (de Macbeth) criou há uma semana o Globe São Paulo, que pretende corrigir uma falha perceptível em qualquer montagem teatral brasileira: a raquítica formação cultural dos atores. ?Espero formar um grupo que, no futuro, possa interpretar Shakespeare devidamente.? Os futuros espectadores também.  leia também  Cursos livres ensinam o que faltou na escola     Programas não competem com universidade, dizem professores  

Agencia Estado,

17 de agosto de 2004 | 14h28

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.