Cinco minutos de atraso, e um sonho mais distante

Como boa parte dos vestibulandos, a aluna Raquel Santana da Cruz, de 23 anos, não tem condições de pagar uma universidade particular. No entanto, ela viu mais distante a vontade de cursar a faculdade de Ciências Biológicas: ela não prestou o exame porque chegou atrasada cinco minutos na Radial - Faculdade Centro de Educação Tecnológica, no bairro da Saúde (foto).Raquel mora no Butantã e achou que faria a prova no Paraíso. ?Só quando cheguei lá percebi que faria em outro lugar?, dizia, no meio de choro e pedidos para os organizadores abrirem o portão. Ela se deslocou de metrô e correu até o local, mas não foi suficiente. ?Não acredito que isso está acontecendo comigo?, lamentava. O horário do fechamento dos portões foi às 13h45, pontualmente, para a prova iniciada às 14h00.Plantão de paisEnquanto Raquel era consolada por mães de outros vestibulandos, que aguardavam o término do vestibular, a professora Malu Rigon, de 47 anos, fazia pensamentos positivos para os filhos gêmeos Willian e Leandro, de 17 anos, que pretendem cursar Jornalismo e Administração de empresas, respectivamente.?Os pais precisam estar junto dos filhos nesses momentos. Torço para a aprovação ser o presente de Natal deles?, comentou Malu, que não tem condições de pagar universidade particular para os dois. ?Eles sabem disso e estudam todos os dias, sem parar. É uma loucura.?Primeiras a sairAs amigas Graziela Rodrigues e Hysamara Batista, de 17 anos, foram as primeiras a sair de um outro lugar de provas, o prédio da Pontifícia Universidade Católica (PUC), em Perdizes. ?Achei tudo muito difícil, por isso saí rápido da prova. Não adianta ficar lá se não vou saber responder nem agora nem nunca?, reclamava Graziela enquanto a amiga acredita que passará para a próxima etapa.?As questões dissertativas permitem justificar, explicar, dar opinião. Isso é bem melhor e é mais fácil de passar?, disse Hysamara que quer fazer enfermagem, assim como Graziela.

Agencia Estado,

23 de novembro de 2003 | 18h29

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