Cidades querem apoio para gerir a "sociedade da informação"

Prefeituras e governos locais da América Latina e Caribe querem criar mecanismos de financiamento internacional para automatizar o acesso aos serviços públicos e às informações sobre a administração municipal, através de tecnologias digitais. Representantes do continente levarão esta e outras recomendações à Cúpula Mundial das Cidades e Autoridades Locais na Sociedade da Informação, nos dias 4 e 5 de dezembro em Lyon, França, num dos muitos eventos setoriais que precedem à 1.ª Cúpula Mundial da Sociedade da Informação, que ocorrerá dias depois em Genebra, Suíça.Entre as outras propostas e recomendações está a necessidade de fomentar parcerias de empresas privadas com governos locais e organismos internacionais, sempre com o objetivo de permitir maior acesso da população aos recursos tecnológicos que permitem acesso a dados públicos, interação com as autoridades, capacitação pessoal e intercâmbio de experiências em redes eletrônicas. Tudo isso consta da Carta de Curitiba, documento resultante do Fórum Regional de Cidades e Autoridades Locais na Sociedade da Informação.O evento reuniu na capital do Paraná, de quarta a sexta-feira, representantes de cidades de oito países da região, que apresentaram suas experiências em governo eletrônico e projetos sociais, desde aqueles voltados para a democratização do acesso às novas tecnologias até os focados no exercício efetivo da cidadania por meio das redes digitais. Foram apresentadas cerca de 40 experiências em educação ? formal e capacitação específica ?, saúde, administração pública e governança. A maioria dos casos estudados é do Brasil.O documento final propõe o reconhecimento mundial das autoridades locais como ?atores-chaves da construção da sociedade da informação? ? por sua relação direta com a comunidade e suas ?crescentes atribuições? ? e pede políticas de Estado que facilitem o acesso às novas tecnologias de informação. Estas tecnologias, segundo os representantes, são ?instrumentos para assegurar transparência, eficiência e participação cidadã?. Ressaltam que elas ?não são um fim e si mesmas?, mas ?ferramentas para o desenvolvimento da pessoa e da comunidade?.América Latina e Caribe enfrentam a mesma falta de infraestrutura e recursos para conectar sua população às novas redes de informação e participação. O Brasil, por exemplo, tem menos de 20% de sua população com acesso à internet e, em várias regiões a falta de rede elétrica básica é o primeiro dos muitos obstáculos à conectividade.Modelos na educaçãoO Fórum Regional de Cidades e Autoridades Locais na Sociedade da Informação mostrou que as experiências com tecnologias digitais na Educação estão ajudando as cidades a automatizar o acesso aos serviços públicos e às informações sobre a administração. Projetos como o Cartão Aprender, em Curitiba, servem como base de lançamento para sistemas complexos como os ?smart cards?, cartões providos de chips que reúnem inúmeros dados sobre o cidadão e lhe permitem acesso rápido a diversos serviços. Todos os cerca de 120 mil alunos da rede municipal já dispõem de um cartão, e a prefeitura tem como meta disponibilizá-lo a pelo menos 1 milhão de habitantes.Segundo o secretário de Educação de Curitiba, Paulo Schmidt, o Cartão Aprender ? que começou a ser implantado no início deste ano ? é o mesmo que dá entrada ao aluno na catraca da escola e armazena suas notas, permite retirar livros nas bibliotecas regionais e pagar meia passagem nos ônibus, dá acesso à internet gratuita nas escolas e centros públicos, ingresso livre em algumas sessões de cinema e teatro, além permitir registrar dados de consultas feitas nos postos de saúde municipais. ?As famílias dos alunos podem, com o cartão, comprar remédios com até 20% de desconto?, disse Schmidt, mencionando três redes de drogarias já conveniadas. ?E as farmácias ainda vão oferecer palestras sobre saúde nas escolas.?O cartão, segundo o secretário, é parte de uma estratégia maior de aplicação de novas tecnologias na escola, que inclui o uso de robótica e programação digital nas aulas, além de projetos como o Digitando o Futuro. ?Iniciamos este projeto há três anos e chegamos a 1,4 milhão de acessos, com os alunos levando seus pais a ter o primeiro contato com um computador e a internet?, relatou. Diariamente, 2,4 mil habitantes de diversas idades vão aos 48 locais onde estão 430 computadores conectados a um provedor exclusivo. ?Já temos 100 mil contas de e-mail cadastradas.?Outras experiências brasileiras foram apresentadas no fórum, como o programa de capacitação de professores paulistas para o uso de novas tecnologias na escola e os infocentros da cidade de São Paulo. Segundo Nely Pereira Silva, da Fundação para o Desenvolvimento da Educação, desde 1997 foram dados cerca de 120 mil cursos de capacitação para pelo menos 50 mil professores estaduais de São Paulo. ?Criamos espaço para o professor pensar no uso da tecnologia para a formação geral do aluno, como elemento motivador?, disse ela. Na maioria dos programa e projetos, entretanto, há uma dificuldade comum: a produção insuficiente de conteúdos educativos adequados às novas tecnologias.

Agencia Estado,

06 de outubro de 2003 | 17h17

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