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Cidades menores têm melhor oportunidade de educação, mostra Ioeb

Índice de Oportunidades da Educação Brasileira mede possibilidade de municípios e Estados brasileiros oferecerem ensino adequado

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

07 Outubro 2015 | 21h55

Viver fora das capitais brasileiras pode ser um fator crucial para ter mais oportunidades de obter educação adequada. É o que aponta o Índice de Oportunidades da Educação Brasileira (Ioeb), novo indicador desenvolvido por Reynaldo Fernandes, criador do Índice do Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), principal dado de avaliação educacional no País. 

O Ioeb mede, em uma escala de 0 a 10, a possibilidade de os municípios e Estados brasileiros oferecerem melhores oportunidades de educação para crianças e adolescentes em toda a educação básica. O indicador é composto de outros sete componentes: Ideb nos anos iniciais e finais do ensino fundamental, taxa líquida de matrícula do ensino médio, escolaridade dos professores, número médio de horas aula/dia, experiência dos diretores e taxa de atendimento na educação infantil. os dados podem ser consultados no site da plataforma, lançada nesta quarta-feira, 7, pelo site ioeb.org.br

A nota média do País é de 4,5. No ranking dos municípios brasileiros, a primeira capital a aparecer é São Paulo, em 1387º lugar, com a nota 4,8. As três primeiras posições do ranking são ocupadas por municípios cearenses: Sobral, Groaíras e Porteiras. Novo Horizonte, com apenas 36 mil habitantes, é a primeira cidade do Estado de São Paulo a constar na lista. Já no ranking dos Estados, São Paulo está em primeiro lugar, seguido  por Minas Gerais e Santa Catarina. O Pará está em último lugar. Já o Ceará, que tem o melhor município, ficou em quinto.

"O município pequeno tende a ser mais homogêneo e o resultado pode variar bastante. Com um pouco de investimento, pode haver um efeito grande. Já no município grande é tudo mais lento, tudo dilui entre todo mundo e há mais dificuldade para que as ações cheguem à periferia, por exemplo", disse a economista e uma das desenvolvedoras do indicador, Fabiana de Felício. Ela ressalta, entanto, que a explicação não pode ser usada como desculpa para melhorias em qualquer cidade. "Uma cidade pequena, como Sobral, consegue transferir esse sucesso e essas práticas a outros municípios parecidos com ele".

Diferentemente do Ideb, criado por Fernandes quando presidia o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC), o Ioeb não será utilizado de maneira oficial pelos governos. Apesar de utilizar somente dados do Censo Escolar e do Ideb, o índice foi criado em uma entidade privada, o Centro de Liderança Pública (CLP), com apoio da Fundação Lemann, da Fundação Roberto Marinho e do Instituto Peninsula. 

Avaliação. Para o coordenador de mestrado e doutorado em Administração Pública e Governo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Fernando Abrucio, o indicador avança por não focar somente no resultado das escolas ou redes. "Ele consegue balancear insumos e resultados", disse. Deniz Mizne, da Fundação Lemann, complementa. "Ele traz uma nova complexidade. Na época do Ideb, as pessoas só queriam olhar para o resultado. É preciso acordar outros consensos, de que a nota é importante, mas outros elementos também", ponderou.

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