Chegada de polo de educação a distância muda Porto Murtinho

Quatro irmãs cursaram a primeira graduação da cidade e fizeram juntas trabalhos e seminários

Guilherme Soares Dias, especial para o Estado, Estadão.edu

25 Março 2014 | 03h00

Encravada no extremo sul do Pantanal, na fronteira com o Paraguai, Porto Murtinho (MS) – cidade que tem apenas 16 mil habitantes – não oferecia nenhum curso superior até 2006. Quem quisesse continuar os estudos após o ensino médio tinha de se mudar para a capital, Campo Grande, a 460 km, ou ir e voltar para municípios que ficam a pelos menos 200 km.

Há oito anos, porém, a realidade mudou. Foi inaugurado um polo da Universidade Aberta do Brasil (UAB), que passou a oferecer cursos de graduação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

A abertura do polo deu novas perspectivas para a cidade e fez com que murtinhenses que estavam há mais de 20 anos longe da escola voltassem para a sala de aula. Também melhorou o sistema de ensino, que passou a ter mais professores graduados.

"Formamos pessoas no lugar onde elas vivem. Muitas não teriam chance de fazer um curso superior se não chegássemos até lá. Isso muda a situação da educação e desencadeia uma série de mudanças positivas", diz a chefe da Coordenadoria de Educação a Distância da UFMS, Ângela Zanon.

A primeira turma do curso de Biologia, que começou em 2007, reuniu quatro irmãs da família Soares. Lucila, de 58 anos, Therezinha, de 51, Doracy, de 45, e Nadir, de 38, que aprenderam juntas sobre biomas, DNA e corpo humano.

Therezinha fez a mudança mais radical. Após quase 30 anos vivendo em Campo Grande, ela voltou para Porto Murtinho para fazer faculdade. "Não conseguia pagar uma particular e entrar em uma pública na capital era muito difícil. Com o polo, consegui passar."

Segundo Therezinha, as aulas a distância foram "mais puxadas" do que se fossem presenciais. "Precisávamos correr atrás de muita coisa. Fazíamos grupos de estudo, procurávamos conteúdos", conta.

Para Doracy, que voltou a estudar no fim da década de 1990 e concluiu o ensino médio em 2000, a chegada do polo foi uma oportunidade. "Antes não tínhamos essa possibilidade. Como eu, muita gente foi atrás e conseguiu se formar", diz Doracy, que é professora de Biologia na rede estadual de ensino. "Depois da graduação, fiz uma pós a distância."

Atualmente, a UAB oferece 2.513 cursos espalhados por 1.724 cidades do País. "A UAB levou a universidade para locais onde ela não poderia estar. Não dá para ficar abrindo câmpus, pois é caro mantê-los", afirma Ângela.

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