Chapas de esquerda criticam 'ingerência' da PM na Guarda Universitária

Para Reação, nomeação de coronel deve ser avaliada em termos técnicos, 'sem preconceito'

Cedê Silva, Especial para o Estadão.edu

29 Março 2012 | 17h14

 

A nomeação de um coronel da reserva da PM para chefiar a Guarda Universitária da USP foi criticada hoje por chapas de esquerda concorrentes ao DCE. Para elas, a denúncia de que policiais militares do batalhão responsável pela região recebem dinheiro de traficantes da Favela São Remo mostra que a PM não está no câmpus para garantir a segurança.

Para Pedro Serrano, 20 anos, da chapa Não Vou Me Adaptar, a nomeação do coronel Luiz de Castro Júnior mostra que o reitor Rodas quer dar à Guarda um caráter semelhante ao da PM. "É complicado inclusive para a autonomia universitária, já que a Guarda deve ser da universidade, e não ligada aos interesses da polícia", diz o estudante de Ciências Sociais. "A nomeação mostra que Rodas quer resolver os conflitos políticos com a militarização, e não com o diálogo". Segundo Pedro, a PM na USP atua em lugares com muita movimentação, para intimidar, e não "em lugares mais desertos, como deveria".

A denúncia de suborno, disse Pedro, é "gravíssima". "É resultado da maneira pouco transparente e verticalizada com que o reitor pôs a polícia aqui dentro", afirma. "Se ele tivesse algum compromisso com a universidade, deveria suspender o convênio com a PM até que se averiguem todas as acusações".

Natália Pimenta, estudante de Letras de 26 anos da chapa 27 de Outubro, diz que com a mudança de comando a tendência é que a Guarda Universitária "sirva de auxílio para a repressão" feita pela PM. Para ela, a denúncia de suborno mostra que a polícia não está no câmpus para garantir a segurança dos estudantes, "porque os policiais estão envolvidos com o crime".

Apoiador da chapa Reação, Márcio Becker Góis, estudante de Filosofia de 42 anos, conta que todo aluno sabe que existe tráfico de drogas no câmpus. "Há aqui uma cultura de vista vista grossa aos ilícitos há muitos anos; não há controle e punição. A questão da segurança é reflexo disso", afirma. Segundo Márcio, "seria injusto" colocar a culpa na polícia como um todo por causa do comportamento de alguns policiais.

"Temos hoje uma comunidade rachada", diz Márcio, "uma parte preocupada com segurança e outra com ideologia". Ele diz que a esquerda tem preconceito contra o novo chefe da Guarda por ele ser policial. "O que deve ser avaliado é se foi a melhor escolha tecnicamente".

Mais duas. A reportagem telefonou para representantes das chapas Quem Vem Com Tudo Não Cansa e Universidade em Movimento, mas eles não estavam disponíveis para entrevista no meio desta tarde.

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