Denise Andrade
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Chalita diz que nome de Nalini foi ‘consenso’ entre gestores

Para especialistas, apesar de secretário não ser da área educacional, é a escolha ‘adequada’, após um período de crise

PAULA FELIX, ISABELA PALHARES e PAULO SALDAÑA, O Estado de S. Paulo

23 Janeiro 2016 | 03h00

SÃO PAULO - Com a trajetória profissional construída no Judiciário, José Renato Nalini é o segundo secretário da Educação do governador Geraldo Alckmin (PSDB) com formação e atuação distantes da educação básica. Para alguns, Nalini pode compensar o afastamento por ser de grande abertura ao diálogo. O contraponto é a sua forte influência no Judiciário e como ela seria usada em questões polêmicas.

O secretário municipal da Educação de São Paulo, Gabriel Chalita (PMDB), disse que o nome de Nalini é “consenso” entre os gestores da área. “Ele tem um espírito conciliador, é um homem de muito diálogo, que tem uma maturidade muito grande para o exercício desse cargo”, afirmou.

A educadora Maria Helena Guimarães Castro, ex-secretária estadual da Educação, avaliou que a escolha foi adequada para o momento, depois da crise vivida com a reorganização. “Não é uma pessoa da educação propriamente, mas foi professor de Direito e tem trajetória de vida importante.”

Já para o professor Ocimar Alavarse, da Universidade de São Paulo (USP), o principal desafio de Nalini será recuperar o respeito e a confiança dos professores e alunos junto à secretaria. “Tanto na greve como na reorganização escolar, o governo teve uma postura intransigente. Agora, precisa mostrar que está aberto ao diálogo.”

Maria Izabel Noronha, presidente da Apeoesp (principal sindicato dos professores), disse que o novo secretário deve não apenas se mostrar aberto ao diálogo, mas de fato negociar com a categoria. “De nada adianta nos receber, ouvir o que temos a dizer e nos ignorar, como foi feito até agora.”

Angela Meyer, presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes), admite dúvidas sobre a possibilidade de diálogo. “Todas as grandes questões da educação no ano passado, a greve e a reorganização foram decididas após derrotas do governo no Judiciário. É preocupante a possibilidade de que Nalini possa, com sua influência, blindar a Secretaria da Educação desse tipo de decisão”. Angela também se preocupa com o fato de Nalini não ser da área da educação. “Não sabemos o que ele pensa sobre a reorganização, quais são os projetos para a educação pública.”

Para Alavarse, além de assumir projetos inconclusos – como a reorganização escolar, plano de carreira dos professores, mudança do currículo do ensino médio –, Nalini terá um desafio adicional por não ser da área educacional. “A educação é uma área consolidada, alguém que vem de fora, que não teve militância ou atuação no campo, vai ter a tarefa adicional de se credenciar como um dirigente da educação. Espero que o governador não esteja optando pela via da judicialização das questões de política educacional, porque estaria aprofundando um cenário de ausência de debate.”

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