Chalita diz não 'contar' com escolas do Estado para creches

Secretário municipal de Educação afirma que prédios vão precisar de adaptações e reformas para receber crianças pequenas

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

01 Dezembro 2015 | 13h39

SÃO PAULO - O secretário municipal de Educação de São Paulo, Gabriel Chalita, disse nesta terça-feira, 1º, que a Prefeitura não conta com os prédios das escolas fechadas pela reorganização escolar da rede estadual para fazer creches na cidade. No entanto, ele disse ter interesse na utilização dos prédios para a educação infantil. 

"São prédios que não foram construídos para creche. Eles precisam ser adaptados, precisam de reformas, e a gente ainda não tem um detalhamento desses espaços. E também porque a gente está tendo muito cuidado porque essa é uma discussão do Estado com a sua rede. Temos que esperar terminar essa discussão (com os alunos, pais e professores contrários à reorganização) para ver se de fato essas escolas vão ser fechadas", disse Chalita. A reorganização prevê o fechamento de 93 escolas, 25 delas na capital. 

Ainda de acordo com Chalita, um levantamento preliminar da prefeitura apontou que 20 escolas disponibilizadas estão em regiões da cidade em que há demanda por creche. "A gente não quer entrar nisso nesse momento. Porque é uma outra rede de ensino, outra secretaria. É importante (que o Estado) faça essa discussão com a sua rede, porque nós (da área da educação) falamos tanto da autonomia das escolas, do pertencimento, e da importância dos alunos se apropriarem das escolas. Tenho certeza que haverá sensibilidade do Estado para refletir sobre isso." 

Chalita disse que a prefeitura tem interesse em ser "parceira" do Estado, caso as escolas sejam disponibilizadas. "A prefeitura está sempre disposta (a parcerias). A bandeira da educação sempre tem que estar acima de questões políticas", disse Chalita, que foi secretário de Educação de Geraldo Alckmin (PSDB), de 2002 a 2006. 

Reorganização. Em setembro, o secretário estadual da Educação, Herman Voorwald, divulgou uma reforma para que as escolas estaduais tenham ciclo único. A medida faz com que 754 unidades ofereçam só os anos iniciais do ensino fundamental (1.º ao 5.º ano), finais (6.º ao 9.º) ou ensino médio. Com isso, mais de 300 mil alunos serão transferidos e 93 escolas, fechadas. 

Desde que foi anunciada, a medida tem gerado críticas de especialistas, pais, alunos e professores. A insatisfação já levou à ocupação de 190 escolas em protesto contra a reforma. Chalita também criticou a decisão de reorganização do Estado. "Conceitualmente, não é assim que as redes de ensino vem trabalhando. Na escola você tem mesmo a convivência dos diferentes, por isso mesmo que se fala tanto em educação inclusiva. Essa convivência (de alunos de diferentes idades) não é prejudicial, não há tese que ateste isso." 

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