CEUs do PT são diferente de Cieps do PDT, diz secretária

A secretária municipal de Educação de São Paulo, Eny Maia, garantiu nesta sexta-feira que o projeto de construção de Centros Educacionais Unificados (CEUs), um dos principais da atual administração petista, difere do dos Centros Integrados de Educação Pública (Cieps), do ex-governador Leonel Brizola (PDT-RJ). A diferença estaria na concepção do projeto, fator que impediria seu abandono em gestões não petistas."Não corremos o risco de cometer o mesmo equívoco dos Cieps, idealizados pelo professor Darcy Ribeiro, que foram pensados para funcionar de uma forma isolada e segmentada da rede escolar que já existia", disse Eny. "Essa separação, com uma rede funcionado paralela à outra, com material diferente, acabou gerando uma série de hostilidades. Mas o CEU é um dos centros da rede, vamos trocar experiências com todos." Na avaliação de Eny, outra diferença é quanto à administração dos novos centros de educação. "Acho que a própria gestão vai garantir a continuidade do projeto em caso de troca de governo, porque o diretor da unidade, por exemplo, será eleito na comunidade, terá mandato de quatro anos. Isso tudo ajuda a criar uma consciência, a comunidade se envolve." Eny aponta ainda a "falta de responsabilidade social" como um dos motivos do abandono dos Cieps. "A sociedade devia ter impedido a invasão de alguns deles, o abandono. Lá havia muito dinheiro investido, e as pessoas assistiram ao projeto ser destruído, o Ministério Público não se manifestou", disse Eny. "Aqui, eu duvido que ocorra algo parecido, se as pessoas se apropriarem do equipamento." Ela também aposta na integração com todas as demais unidades da rede escolar municipal.O custo previsto das obras dos 21 CEUs - 15 unidades estão em construção e seis em fase de desapropriação de terrenos - é de R$ 288 milhões, 8% sobre o valor estimado inicialmente, R$ 266 milhões. Pelo cronograma pela Prefeitura, os 21 CEUs devem ser entregues no primeiro semestre de 2003. Antes disso, o plano de metas para a Educação, divulgado no final de 2001, previa entregar 20 unidades em 2002, 20 em 2003 e cinco em 2004.A secretaria garante que o atraso no cronograma não se deve à falta de recursos e sim à dificuldade de encontrar terrenos apropriados, que sejam da Prefeitura, para a construção dos CEUs. Eny não soube informar qual será o custo, ou uma estimativa de custo, da manutenção das unidades nem quantos empregos podem ser gerados nesse setor. Em relação às vagas destinadas aos professores, há cerca de 3 mil concursados, de 2001, que podem ser chamados para os CEUs.A prefeita Marta Suplicy (PT) se recusou a dar detalhes sobre a implantação dos CEUs, o que deveria ocorrer após a apresentação e visita às maquetes. "Tudo o que eu tinha para falar, eu já falei", disse, apesar de ter convocado a imprensa para cobrir o evento, no Palácio das Indústrias, sede da Prefeitura.

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