Centros Educacionais não vão acabar com as escolas de lata

A inauguração dos 17 Centros Educacionais Unificados (CEUs), prevista para agosto, não vai acabar com as escolas de latinha. Apesar de a Prefeitura de São Paulo estar abrindo 28.560 vagas em escolas de educação infantil e de ensino fundamental nos centros ? o suficiente para transferir 56% dos 51 mil estudantes das unidades de latinha ?, apenas 10,5% deixarão as classes abafadas dos colégios improvisados. Assim, só 6 das 57 escolas de lata da cidade de São Paulo deixarão de funcionar. Isso porque a Secretaria Municipal de Educação quer acabar com o quarto turno na rede. ?Vamos ter alunos do CEU, os do purgatório (escolas de alvenaria) e os do inferno (as de latinha, que fervem no verão)?, afirma o vereador Cláudio Fonseca (PC do B). ?Como na religião, o CEU não é para todos.? A educadora da Universidade de São Paulo (USP), Ana Rosa Abreu, também teme o efeito da divisão sobre a qualidade no atendimento. ?Se o CEU fosse para todo mundo, seria ótimo. Mas, já que é impossível, temos de lutar por uma escola de qualidade?, afirma. ?E escola boa precisa de projeto pedagógico, de bons professores, não precisa ter piscinas ou pista de skate. Isso é bonito na novela.? Fonseca, que também preside o sindicato dos professores da rede, diz que, com o dinheiro de um CEU (R$ 13 milhões), daria para construir 10 escolas de alvenaria para 2 mil alunos cada. ?Seriam 340 mil novas vagas e as escolas de latinha acabariam de uma vez por todas?, diz.

Agencia Estado,

18 de julho de 2003 | 05h04

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