Centros e universidades brigam por autonomia e trocam acusações

Universidades estão em pé de guerra com os centros universitários. A disputa que já havia chegado ao Conselho Nacional de Educação virou bate-boca público. A briga nasceu com a autonomia concedida por decreto presidencial de 1997 aos centros para abrirem novos cursos e aumentarem o número de vagas, sem necessidade de autorização do MEC. A autonomia divide parlamentares, advogados, entidades e os conselheiros do CNE ? alguns consideram a autonomia inconstitucional.As universidades têm a mesma autonomia, mas precisam manter um quadro maior de mestres e doutores entre seus professores além de serem obrigadas a oferecer pós-graduação e fazer pesquisas.Em abril, a chanceler Cláudia Levinsohn, do Centro Universitário da Cidade do Rio de Janeiro (UniverCidade) disse que "nas universidades públicas brasileiras, a maioria das pesquisas é feita de brincadeirinha". Nas particulares, é "enganação".A UniverCidade defende que todas as instituições de ensino superior ? faculdades isoladas e integradas ? passassem a ter autonomia.Guerra de titãsA UniverCidade acusou uma das conselheiras do CNE, Marília Ancona-Lopez (contrária à autonomia), de estar a serviço das universidades particulares - em especial a Universidade Paulista (Unip), onde trabalha. A Unip é a maior universidade privada do País, com 85 mil alunos. A UniverCidade é o maior centro universitário, com 35 mil.Marília processa a UniverCidade por injúria e nega que atenda interesses de universidades. "Quero esclarecer a constitucionalidade do artigo que concede autonomia aos centros", diz. Sua posição parece contrariar colegas do conselho. "No CNE impera uma política de se evitar a discussão sobre os centros." Para ela, a autonomia dos centros pode levar à expansão de cursos sem qualidade, já que não têm um acompanhamento do MEC.O empresário Ronald Levinsohn, proprietário da UniverCidade, voltou a acusar Marília ontem e disse ter "inúmeras provas" sobre sua suposta vinculação. "As provas serão apresentadas em juízo." Para Levinsohn, as universidades estão movidas por um interesse "puramente mercantil".DoutoresPara o reitor da Unip, João Carlos Di Genio, além da discussão sobre a qualidade, há outro problema em jogo: a diminuição ou restrição do número de universidades no País, as únicas instituições que formam mestres e doutores. "Desde o decreto de 1997 que criou os centro universitários, 72 centros foram abertos e nenhuma universidade", diz ele. "Como as exigências são diferentes, ninguém mais quer abrir universidade."Segundo Di Genio, que nega qualquer interesse comercial na discussão, o governo federal terá de derrubar a automia e passar a estimular a abertura de universidades, se quiser alcançar uma das metas de campanha, a de dobrar o número de mestres e doutores brasileiros até o fim da gestão.

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