Centros acadêmicos das Faculdades de Direito da PUC, USP e Mackenzie defendem democracia na universidade

Em nota, criticam a escolha de Anna Cintra para a reitoria da PUC e protestam contra 'atos autoritários' de João Grandino Rodas

Estadão.edu,

30 Novembro 2012 | 19h41

Os centros acadêmicos das Faculdades de Direito da PUC, USP e Mackenzie divulgaram nesta sexta-feira, 30, nota conjunta em defesa da "democracia e maior participação nas instâncias decisórias" das três universidades. No texto, os CAs criticam a escolha da professora Anna Cintra para ser reitora da PUC, denunciam mudanças nas regras para eleição do reitor do Mackenzie e protestam contra os "atos autoritários" do reitor da USP, João Grandino Rodas.

"São raras as instituições de ensino superior do Brasil que dão ampla possibilidade de participação a seus alunos e que destoam da estrutura de poder centralizada que predomina na grande maioria das universidades", diz a nota. "A Pontifícia Universidade Católica é uma dessas poucas instituições já que, desde a década de 70, inclui estudantes, professores e funcionários em eleições diretas para a Reitoria."

Os CAs assinalam que, durante toda a história da PUC, o cardeal arcebispo de São Paulo "sempre indicou o primeiro colocado nas eleições, respeitando a escolha da comunidade acadêmica e a democracia" na universidade. Os estudantes criticaram o atual cardeal, d. Odilo Scherer, pela escolha, no dia 12, de Anna Cintra, a candidata menos votada da lista tríplice. Lembram ainda que a professora e os demais candidatos tinham se comprometido durante a campanha a só aceitar o cargo se vencessem a votação.

No caso do Mackenzie, os CAs afirmam que o edital da eleição para diretor da Faculdade de Direito "inova e traz critérios (...) incapazes de traduzir a qualidade do candidato, aparentando ter como objetivo impedir a homologação de diversos candidatos não alinhados à administração do reitor". Eles dizem ainda que o representante dos alunos na comissão que vai conduzir o processo eleitoral "é completamente desconhecido da comunidade acadêmica" e, portanto, tem "pouca ou nenhuma legitimidade". Além disso, segundo os estudantes, "há quase dez anos o reitor não publica os editais para composição discente nos conselhos superiores da universidade, inviabilizando a participação estudantil".

"A situação na USP não é diferente das demais instituições", afirmam os CAs. O texto lembra que Rodas, assim como Anna Cintra, não foi o mais votado da lista tríplice (no caso da USP, a decisão final coube ao ex-governador tucano José Serra), contrariando uma prática que era seguida desde a redemocratização do País. "Rodas, com recorrência, toma medidas autoritárias, sem consulta à comunidade discente, tendo sido nomeado “Persona Non Grata” pela Congregação da Faculdade de Direito da USP, escola de onde é professor titular", afirmam os CAs.

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