Centro Paula Souza é ocupado por estudantes

Estudantes são contra a PEC 241 e pedem mais investimentos do governo estadual em políticas de permanência estudantil; é a segunda vez em 6 meses que a sede da autarquia é ocupada

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

03 Novembro 2016 | 18h59

SÃO PAULO - Cerca de 50 estudantes das faculdades (Fatecs) e escolas técnicas (etecs) de São Paulo ocuparam na tarde desta quinta-feira, 3, a sede do Centro Paula Souza -  autarquia do governo estadual responsável pela administração das unidades -, na região central da capital. Os manifestantes são contra a PEC 241, proposta pelo governo Michel Temer (PMDB), e pedem mais investimentos em políticas de assistência estudantil nas unidades estaduais. 

Os alunos entraram no terreno do prédio, mas permanecem do lado de fora do imóvel. Eles estão com barracas e faixas. A Polícia Militar acompanha a manifestação e fez um cordão de isolamento na rua em frente ao imóvel. 

De acordo com Henrique Domingues, presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) das Fatecs), há três anos o governo estadual mantem o mesmo valor de investimento para as políticas de assistência aos alunos de baixa renda. "É um valor muito pequeno e insuficiente. Por isso, as Fatecs têm uma taxa de evasão de mais de 60% dos alunos que ingressam nas unidades. E o governo não faz nada para reverter isso", disse. 

É a segunda vez em seis meses que a sede do Centro Paula Souza é ocupada. No final de abril, os estudantes ocuparam por nove dias o prédio para reivindicar que todas as etecs do Estado passassem a receber merenda. 

País. Na terça-feira, 1º, segundo a União Brasileira de Estudantes Secundaristas, 1.197 instituições de ensino estavam ocupadas em todo o País. Os alunos protestam contra a medida provisória que determinou a reforma do ensino médio, contra a PEC 241 - que congela as despesas do governo, incluindo a área de educação, por até 20 anos - e também contra o projeto Escola Sem Partido, que tramita no Congresso Nacional.

Com a ocupação das escolas, o governo Temer anunciou que irá adiar a realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para 191 mil estudantes que fariam a prova em unidades que estão tomadas por manifestantes. Ao todo são 304 locais de prova ocupados. Os Estados mais afetados pela mudança de data são Paraná e Minas Gerais, que, juntos, desmobilizarão 83 mil alunos do Enem deste fim de semana.

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