Centro acadêmico da faculdade de Direito da USP rebate delcarações de reitor

"Ninguém é contra a modernização. Mas que seja feita de forma correta", afirmou o presidente do C.A.

Paulo Saldaña, Especial para o Estadão.edu

17 de maio de 2010 | 20h34

Representantes do Centro Acadêmico da Faculdade de Direito da USP criticaram as declarações do reitor João Grandino Rodas, dadas em entrevista publicada nesta segunda-feira pelo Estado, sobre as recentes manifestações relacionadas às mudanças na biblioteca da instituição e à nomeação de salas de aula. "Ninguém é contra a modernização. Mas que seja feita de forma correta", afirmou o presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto, Marcelo Chilvarquer.

 

 

De acordo com Chilvarquer, o reitor minimizou os problemas da biblioteca. "Para uma mudança, são necessários laudos de segurança, e o prédio está em péssimas condições", diz Chilvaquer. O aluno ressaltou que a principal causa da manifestação dos alunos é a biblioteca, e não a nomeação das salas. A maioria dos estudantes, segundo Chilvarquer, é a favor da entrada de dinheiro privado na faculdade. "Mas o contrato de doação fala expressamente que o direitor 'conseguiria' a aprovação da faculdade", diz.

 

 

Promovida por Rodas ao final de sua gestão como diretor da faculdade, a mudança de dois acervos da biblioteca tem causado dor de cabeça ao atual reitor. Na semana passada, alunos protestaram por falta de acesso à biblioteca. A polêmica culminou com uma sindicância contra o vice-diretor, Paulo Borba Casella, que teria tentado revogar ordem de retorno dos livros para o prédio principal. Casella, que pediu afastamento temporário, é apontado como próximo do reitor. Rodas não confirma essa aproximação. Decisão judicial já exigiu a transferência dos livros, que estavam encaixotados no prédio anexo, de volta ao histórico.

 

 

O batismo de salas com nomes dos doadores - o escritório de advocacia Pinheiro Neto e os herdeiros do banqueiro Pedro Conde - também provocou prolêmica entre os alunos. Alunos afirmam que, além de quebrar a tradição de nomear salas com o nome de antigos professores da faculdade, o processo não foi transparente.

 

 

Na entrevista, Rodas afirma que a crise na faculdade foi fomentada por grupos com interesses divergentes. "O que está em jogo não é a localização da biblioteca. É a modernização da faculdade," disse Rodas. "[A oposição na faculdade] é feita por grupos cujo único ponto em comum é conseguir bandeiras para seus objetivos: ganhar as eleições para o centro acadêmico ou para representações com assento nos órgãos colegiados, influenciar a nova diretoria, começar campanha para a próxima diretoria, utilizar-se do contexto para aumentar a agitação sindical."

 

 

Chilvaquer discorda das declarações. Segundo ele, a união de diversos partidos estudantis em torno do mesmo motivo não gera bônus eleitoral a nenhum dos grupos. Tambpem entende que ainda é cedo para falar de eleição na diretoria. "Professores que o criticam agora nunca fizeram-lhe oposição", completa.

 

 

Depois de dois dias de paralisação, os estudantes retomaram as aulas nesta segunda-feira. No entanto, as atividades devem ser interrompidas novamente na terça-feira (18) para a realização de assembleia geral dos estudantes.

 

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