Centro Acadêmico 11 de agosto faz a festa de seus 100 anos

"Quando se sente bater no peito heróica pancada, deixa-se a folha dobrada, enquanto vai se morrer." Os versos são de Tobias Barreto e foram escritos no século 19. Mas se tornaram lema das tantas lutas dos estudantes do Centro Acadêmico 11 de Agosto, da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, no centro de São Paulo. O Onze, como é chamado carinhosamente por todos, comemora, a partir desta segunda-feira, cem anos de sua fundação.São muitas as histórias do centro acadêmico. Invasões, choques com a polícia, protestos, luta contra a ditadura, mortes, além de episódios hilários. Tudo está detalhadamente contado no livro A Heróica Pancada - Centro Acadêmico XI de Agosto: 100 Anos de Luta, que será lançado como parte das comemorações. A obra é uma parceria do centro acadêmico e do Instituto Brasileiro de Memória Jurídica e Social (Memojus).Serão duas semanas de solenidades, apresentações artísticas e debates. Além de comemorar a data, os atuais dirigentes do Onze buscam "a recuperação de seu vigor político", como diz o presidente, Ademir Picanço de Figueiredo, de 24 anos, um amazonense do 5.º ano, que tinha como sonho estudar no Largo de São Francisco. E esse vigor político a que ele se refere está mais do que retratado na história do centro acadêmico. ArcaOs alunos vão enterrar uma arca com diversos documentos próximo da Tribuna Livre, em frente ao prédio da faculdade. A arca só será desenterrada e aberta pelos alunos do Largo de São Francisco daqui a cem anos. Uma campanha entre os estudantes pediu sugestões para compor a arca.Além de uma carta aos colegas de 2103, foram sugeridos para serem enterrados a Constituição de 1988, fotos dos alunos e da faculdade, uma cerveja e um papel higiênico do Porão - como é chamada a sede de centro - e um preservativo, entre outros.Os integrantes do Onze de hoje não usam a tradicional gravata nem chapéu, mas camisetas de movimentos sociais, calças jeans, bermudas, tênis e chinelos. Quase todos os homens usam cavanhaque. Os alunos da universidade não se interessam mais por política como no passado."Hoje, nós enfrentamos a ditadura da pobreza, da miséria e da desigualdade social", diz o atual presidente. A luta de hoje do Onze é pela criação da Defensoria Pública - instituição que o governo do Estado insiste em não criar, apesar de estar prevista na Constituição.Departamento JurídicoA atividade mais reconhecida do centro acadêmico ainda é o Departamento Jurídico 11 de Agosto, a mais antiga organização não-governamental da América do Sul. Criado em 1919, passou a funcionar, de fato, em 1926. Sua missão é cuidar de ações judiciais e dar assessoria jurídica para pessoas que não podem pagar advogado. Atualmente, o departamento atende no 17.º andar do número 62 da Praça João Mendes, no centro.Mas foram muitos os períodos de dificuldade financeira. Nos idos dos anos 70, os estagiários pagavam uma mensalidade para trabalhar no departamento. Foi a forma encontrada para não fechar as portas.Em 1987, o prefeito Jânio Quadros rompeu um convênio com a Prefeitura e o departamento jurídico chegou a parar. Atualmente, são realizados 400 atendimentos e 150 audiências por mês. Advogados e estagiários cuidam de 4 mil processos.Clique para ler mais em Uma trajetória de defesa da democracia Chico Elefante trabalhou a vida toda no Centro Romantismo e democracia continuam de pé Resgate de estátuas, e até pedra, marcaram história da faculdade Goffredo abraça ´de coração´ o 11 João Brasil Vita, o rei dos pinduras Restaurantes não querem saber de pindura

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