Cenário: Retomada de projeto e salário de docentes serão desafios

José Renato Nalini assume a Secretaria da Educação com objetivo de criar pontes de diálogo com estudantes e professores após as ocupações

Paulo Saldaña e Ricardo Chapola, O Estado de S. Paulo

23 de janeiro de 2016 | 03h00

A chegada do desembargador José Renato Nalini à Secretaria da Educação indica que os rumos da política educacional do Estado não devem sofrer grandes mudanças, mas as relações podem ter uma guinada de postura. Nalini cumpre o objetivo dentro do governo de tentar criar pontes de diálogo com estudantes e professores após as ocupações. Sem experiência e conhecimento aprofundado da complexidade da educação básica, projetos importantes, como a própria retomada da reorganização da rede neste ano, devem ser tocados pelo corpo técnico e político que já atua na secretaria. 

No governo, a avaliação é de que era necessário um perfil que conseguisse transmitir uma disposição ao diálogo. O grupo de educadores ligados historicamente ao PSDB, como Rose Neubeuer, não chegou a ser cogitado. Apoiada pelo secretário da Segurança, Alexandre de Moraes, e pelo secretário municipal da Educação, Gabriel Chalita, a indicação de Nalini surgiu logo após a saída de Voorwald. Geraldo Alckmin preferiu esperar se teria outras opções, até buscou nomes mais à esquerda. O cargo passou a ser disputado no governo e por partidos aliados - a pasta tem orçamento anual de R$ 27 bilhões.

Quase 50 dias depois, Nalini acabou se consolidando como a melhor opção. Ele ganhou a preferência de Alckmin por ser visto como um homem de diálogo fácil e diplomático. Na visão de analistas e Palácio dos Bandeirantes, a melhora dessa relação nunca foi tão essencial quanto agora.

O movimento de invasões mostrou força. Após anunciar um projeto sem que houvesse discussões com as comunidades escolares, o governo foi surpreendido com um movimento de ocupações que chegou a quase 200 escolas. O tema transformou-se no maior desgaste político da gestão tucana. Depois de meses insistindo com o projeto, o governo se viu obrigado a suspendê-lo.

O governo promete reativar o debate. Neste ano, a campanha salarial dos professores ainda deve ser reforçada, uma vez que não houve reajuste no ano passado.

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