Johnny Torres/ Diário da Região
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Sindicato diz que eleição presidencial afetará reajuste de escola

Donos devem fixar mensalidade já considerando resultado como fator de risco; há ainda crise, custos e inadimplência em alta

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

27 Setembro 2018 | 11h54
Atualizado 27 Setembro 2018 | 22h30

SOROCABA - Apesar do início do período de rematrícula escolar, o cenário eleitoral deve causar um atraso na definição de um item importante na escolha de pais e alunos: o reajuste da mensalidade. 

De acordo com o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Escolares do Estado de São Paulo, Benjamin Ribeiro da Silva, os donos de escolas vão fixar o aumento já considerando o resultado como fator de risco. “Tem candidato falando em rever a reforma trabalhista, em não fazer as reformas que o País precisa, como a da Previdência. A escola é uma empresa e esse é um risco para a sua economia que precisa ser considerado”, disse. Considerando esse cenário, um segundo turno entre o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, e o do PT, Fernando Haddad, pode levar a um aumento maior na anuidade.

As escolas privadas têm até a primeira quinzena de dezembro - 45 dias antes de começar o ano letivo - para fixar a anuidade. Mas vários colégios paulistanos consultados pelo Estado, incluindo Dante Alighieri, Santa Cruz, Santa Maria e Rio Branco, devem apresentar o valor nos próximos 60 dias.

“Tem candidato a presidente querendo acabar com a PEC do teto dos gastos públicos. É um mau sinal para o mercado. Quando se é obrigado a fazer seu preço anual em um quadro de tanta incerteza, o mantenedor tenta se proteger indo até aonde é possível em termos de valor. Não tem número mágico”, disse Ribeiro.

Ainda segundo ele, a crise econômica e a alta dos custos de energia e combustível indicam um aumento acima da inflação. “O governo prevê fechar o ano com inflação de 4%, mas o IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado) está em quase 10%. É um dado que assusta muito, pois esse indicador reajusta vários componentes de custos da escola, como água, telefonia e aluguel. Ele faz também os preços do atacado, que sempre chegam ao consumidor. Em agosto de 2017, o IGP-M era negativo”, analisou. O presidente do Sieeesp concluiu nesta quarta-feira, 26, em Sorocaba, uma rodada de reuniões com mantenedores de escolas particulares pelo Estado. “Apresentamos os indicadores econômicos e outros índices para ajudar as escolas a montar a planilha de custos, que precisa ser justificada.”

Inadimplência

Segundo ele, o quadro é agravado pela queda de renda da população. “A escola particular é um sonho de consumo de todas as classes sociais e só não está nela quem não pode pagar. Além da qualidade de ensino, tem a questão da segurança, principalmente nos grandes centros. O problema é que a inadimplência cresceu este ano, de 6,62% em janeiro para 8,99% em julho. É um custo a mais para a planilha, pois o aluno que não paga em dia onera os que pagam”, afirmou.

Apesar de admitir um aumento acima da inflação, Ribeiro acredita que não haverá abusos na fixação das anuidades. “O que limita o valor da mensalidade e impede os abusos é a concorrência. Hoje, o pai pode escolher a opção que cabe no orçamento. Temos escolas que cobram R$ 400 e outras que cobram R$ 8 mil. Comparando com um condomínio residencial, vai da casa popular até a mansão. Nesse espectro amplo, o pai tem opções de escolha.”

Conforme o presidente do Sieeesp, as escolas trabalham com a expectativa de que a reforma do ensino médio não acontecerá até o início do ano letivo de 2019. Além de aumento na carga horária, a reforma prevê que, após o primeiro ano com a mesma base curricular, o aluno poderá optar por cinco áreas de estudos nos anos seguintes. “Temos 10 mil escolas no Estado, mas 80% têm menos de 500 alunos; e dessas metade tem menos de 200. Nas escolas menores, acaba sendo um problema a formação de classes. Vamos formar salas com 5 ou 6 alunos? Filosoficamente é muito bonito, mas na prática poucas escolas vão conseguir fazer.”

Principais escolas paulistanas não definiram reajuste para 2019

As principais escolas particulares de São Paulo ainda não definiram o índice de reajuste das anuidades para o ano letivo de 2019. O prazo para que as novas anuidades sejam anunciadas vai até 15 de dezembro. As poucas escolas que já fixaram os índices anunciam reajuste acima da inflação. O governo projeta a inflação em torno de 4% este ano, mas o mercado já sinaliza um índice inflacionário de 4,28%. 

A assessoria de imprensa do Colégio Santa Maria informou que "o índice de reajuste do Santa Maria está sendo estudado entre 5% e 6%". Embora os pais tenham sido informados de que a anuidade vai subir 5%, a direção do Colégio Santa Clara não confirmou essa informação à reportagem.

O Colégio Dante Alighieri informou, através da assessoria de comunicação, que o valor das anuidades ainda não havia sido definido. "Não definimos nada, por enquanto", diz a nota.

Já o Colégio Ofélia Fonseca ainda analisa as planilhas para definir o porcentual, não havendo data prevista para o anúncio.

"Ainda não temos definido o reajuste para 2019, nem previsão de definição", informou a assessoria de imprensa do Colégio Rio Branco.

Procurado, o Colégio Etapa informou que não forneceria dados sobre as anuidades de 2019.

Os responsáveis pela comunicação do Colégio Santa Marcelina e da Escola Móbile não estavam nos estabelecimentos nesta quinta-feira.

As escolas Colégio Pio XII, Colégio Vértice e Colégio Raio de Luz, da capital, foram contatadas e não tinham dado retorno até o início da noite.

 

 

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