Isabela Palhares/Estadão
Isabela Palhares/Estadão

Celular é principal forma de acesso à internet pelos jovens

Computador foi superado pela 1ª vez, diz o Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

28 Julho 2015 | 14h48

Os jovens brasileiros já acessam mais a internet pelo celular do que pelo computador, segundo pesquisa realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) e apresentada nesta terça-feira, 28. Dos 2.105 jovens ouvidos, com idades entre 9 e 17 anos, 82% disseram navegar na internet pelo celular, 56% pelo computador e 32% por tablets.

A pesquisa foi realizada de outubro de 2014 a fevereiro de 2015 e entrevistou jovens de 129 cidades (capitais, regiões metropolitanas, interior), em áreas urbanas e rurais. A faixa etária dos 10 aos 17 anos foi a que apresentou maior percentual de usuários de internet, 77% do total. Dos jovens com acesso a internet nessa idade, 81% disseram usar a internet todos os dias.

A estudante Taynara Santana de Farias, de 17 anos, conta que utiliza o celular praticamente durante todo o dia para acessar a internet. “É a primeira coisa que faço quando acordo. Ainda na cama dou uma olhadinha nas redes sociais. Também é a última coisa que faço antes de dormir”, contou. Ela disse que, mesmo quando está usando o computador, também utiliza o celular. “Os aplicativos não são os mesmos, o celular é mais completo”.

A pesquisa mostrou que o principal motivo pelos quais os jovens acessam a internet é para acessar as redes sociais, 73%, seguido do uso para trabalhos escolares, 68%, e para a pesquisa de assuntos variados, 67%. Dos jovens entrevistados, 79% disseram ter perfil em ao menos uma rede social. Sendo que a maioria, 78% têm perfil no Facebook, 24% no Instagram e 15% no Twitter.

Os dados, que mostram o crescimento exponencial do uso diário da internet e como tem sido acessado de forma individualizada pelos jovens, serviram como base para o lançamento da campanha “Internet Sem Vacilos”, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), com o Google e a ong Safernet Brasil.

“É importante entendermos como esses jovens estão usando a internet para que nós possamos orientá-los e oferecer as melhores ferramentas para que eles se protejam. Porque não adianta falar em controle, é impossível controlar o que eles fazem na internet, mas sim orientar”, disse Gabriela Mora, especialista em cidadania dos adolescentes do Unicef.

Ainda de acordo com Gabriela, o intuito da campanha é respeitar a autonomia dos jovens e muni-los de informação para que usem a rede de forma responsável e segura. “Certo nível de risco faz parte do aprendizado, é importante reconhecer a autonomia do adolescente. Essa faixa etária tem como característica a conquista de autonomia, a construção da identidade e a capacidade de interagir com várias pessoas”.

Dos jovens que foram ouvidos pela pesquisa, 15% disseram que já foi tratado de maneira ofensiva na internet, 21% afirmaram já ter recebido alguma mensagem de ódio e 10% disseram já ter tido as informações pessoais usadas de forma que não gostou. “Por isso, nós criamos a campanha com base na reflexão de cinco temas: o cyberbullying, privacidade, amizades e relacionamentos online, busca de informações com segurança e o preconceito e intolerância”, disse Gabriela.

A estudante Thais Silva, de 17 anos, disse que tem visto cada vez mais demonstrações de intolerância nas redes sociais e que fica chateada com essas situações. “Na época das eleições, eu defendi um ponto de vista e muita gente me criticou e disse coisas agressivas. Isso continua acontecendo, com política, economia e até sobre comportamentos sociais. É assustador a proporção que um comentário pode tomar”. 

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