Cásper Líbero demite professor doente

Em solidariedade ao colega Edson Flosi, Caio Túlio Costa pediu demissão da faculdade

João Coscelli, do estadão.com.br, e Paulo Saldaña, de O Estado de S. Paulo,

16 Março 2012 | 13h16

A Faculdade Cásper Líbero, uma das instituições de ensino de Jornalismo mais tradicionais do Brasil, demitiu o professor e jornalista Edson Flosi, que estava licenciado das aulas por causa de um câncer mas exercia a função de assessor da diretoria. Em solidariedade, o professor e jornalista Caio Tulio Costa pediu demissão nesta semana.

 

Em e-mail encaminhado a alguns alunos, Flosi afirmou que luta há dois anos contra uma doença grave e, mesmo doente, desempenhava a função de assessoria. "Fui demitido e a empresa não justificou a demissão. É um direito da empresa. Doença não gera estabilidade. Demitir um professor doente é legal. Pode não ser moral, mas é legal. O trabalhador não pode esperar atitude humanitária da empresa. Afinal, vivemos em um regime capitalista." Flosi lecionava na Cásper há 16 anos. Foi repórter policial por cerca de 30 anos, com passagens pelos jornais Folha de S. Paulo e Jornal da Tarde. No último dia 13, lançou o livro Por trás da Notícia, sobre a criação de grandes reportagens.

 

Em carta encaminhada à direção da Cásper, Caio Túlio Costa afirma: "Incapacitado de dar aulas, mas apto a prestar os serviços que vinha executando de assessoria e orientação, tanto de forma remota quanto presencial, ele (Flosi) foi desligado mesmo estando doente como está". O jornalista afirma que a a decisão da demissão foi da Fundação Cásper Líbero, que mantém a instituição de ensino. "Não me sinto bem em ambiente que comete tal ação e cujos dirigentes concordem com ela caso tenha sido imposta por instância superior da Fundação Cásper Líbero, mantenedora da Faculdade."

 

Caio Túlio trabalhou na Folha de S. Paulo, onde exerceu o cargo de ombudsman, e nos portais UOL e iG. Lecionava na Cásper desde 2003 a disciplina Ética Jornalística.

 

O professor ainda elenca, na carta, uma série de críticas que reforçaram sua decisão de sair da faculdade: redução do salário dos professores orientadores de TCCs; quantidade de alunos espremidos em salas despreparadas para receber quase 60 deles nos cursos matinais do 4.º ano de Jornalismo; a falta de salas de aula climatizadas, de salas de aula com proteção acústica, de lousas adequadas, de incentivos a parcerias com outras instituições ou a inexistência total e absoluta de um sistema de mérito.

 

Em nota enviada à reportagem às 18h, a Cásper disse "reconhecer o mérito" do trabalho do professor Flosi, mas seu "desligamento - ocorrido meramente por questões internas - foi efetuado nos termos da lei".

 

* Atualizada às 22h55 para acrescentar a nota da Cásper e links

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