Casa Branca lança plano para apoiar desenvolvimento da ‘bioeconomia’

Pela primeira vez, governo Obama fala em incentivos específicos para inovação em biociências

Carlos Orsi, do portal Inovação Unicamp,

07 Maio 2012 | 16h36

O governo dos Estados Unidos apresentou seu “Plano Nacional de Bioeconomia”. Segundo nota oficial divulgada pela Casa Branca, o plano reflete um “compromisso de fortalecer a pesquisa de biociência como um grande motor de inovação e crescimento econômico”.

 

Em sua introdução, o plano afirma que a biociência “pode permitir que os americanos vivam vidas mais longas e saudáveis, reduzir nossa dependência do petróleo, enfrentar importantes desafios ambientais, transformar os processos industriais e aumentar a produtividade e o escopo da agricultura”.

 

Como resume o jornal The New York Times, o plano “discute diversas medidas e estratégias para fomentar a pesquisa e o desenvolvimento de tratamentos médicos, lavouras, biocombustíveis e processos industriais biológicos que possam substituir métodos mais agressivos” de produção.

 

Cinco “objetivos estratégicos” são apresentados no plano: apoio a pesquisa e desenvolvimento que “forneçam o alicerce da futura bioeconomia”; facilitar a transição das invenções do laboratório para o mercado; reformar o marco regulatório, aumentando a rapidez e a previsibilidade das decisões; atualização da academia para “alinhar os incentivos acadêmicos ao treinamento de estudantes para atender às necessidades nacionais”; e a identificação de oportunidades para parcerias público-privadas e para a formação de “colaborações pré-competitivas”, onde empresas concorrentes se unem para “aprender com sucessos e fracassos”.

 

A maioria das iniciativas apresentadas no plano, no entanto, já está em andamento, o que leva o New York Times a questionar “quais mudanças concretas” resultarão do anúncio. No entanto, o site especializado GenomeWeb menciona algumas novas medias, todas com foco em acelerar a chegada da biotecnologia ao mercado. Uma delas é a ampliação do programa BioPreferred, do Ministério da Agricultura, que dá preferência a produtos de base biotecnológica nas compras públicas federais.

 

Outras novidades são a criação de uma rede de TI pela FDA, órgão do governo que regula os mercados de medicamentos e drogas, para acelerar a pesquisa multidisciplinar e a análise dos arquivos de dados clínicos já disponíveis; uma parceria entre o Centro Nacional de Avanço das Ciências Translacionais e a farmacêutica Eli Lilly para elaborar um manual, de distribuição gratuita, sobre a conversão de escobertas científicas em tratamentos; e um esforço do Departamento de Segurança Interna para desenvolver um sistema capaz de identificar ou caracterizar qualquer tipo de micro-organismo, mesmo micróbios ainda desconhecidos ou sintéticos.

 

O crescimento da bioeconomia, diz o relatório oficial, baseia-se atualmente em “três tecnologias fundamentais”: engenharia genética, sequenciamento de DNA e a manipulação automática e em larga escala de macromoléculas. “Embora o potencial dessas tecnologias esteja longe de exaurir-se”, diz o texto, “um grande número de novas tecnologias, e de combinações inovadoras de tecnologias novas e existentes, está emergindo”. Entre as novas fronteiras tecnológicas, o plano menciona a biologia sintética, a proteômica e a bioinformática.

 

Representantes da indústria da biotecnologia saudaram a iniciativa, a primeira do governo Obama voltada para a área. A atual administração americana vinha dedicando muito mais atenção a outras áreas tecnológicas inovadoras, como a energia solar e a eletrônica.

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