NILTON FUKUDA|ESTADÃO
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Carta para revista e texto para site são propostas da redação da Unicamp

Ao contrário dos demais vestibulares, Unicamp tem como proposta cobrar que candidatos escrevam diferentes gêneros textuais

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

15 Janeiro 2017 | 21h43

SÃO PAULO - O primeiro dia de prova da segunda fase da Unicamp teve 10% de abstenção. Neste domingo, 15, os candidatos fizeram a redação e a prova de Língua Portuguesa. Dos 15,3 mil convocados para essa etapa, 13.855 fizeram a prova - é o menor índice de abstenção dos últimos seis anos. 

Nesta edição, os alunos tiveram que produzir uma carta para ser publicada na seção do leitor de uma revista e deveriam falar sobre o "conceito de Brasil cordial" e a presença de estrangeiros no país. Eles também tinham que produzir um texto para o site de uma campanha de arrecadação de fundos para uma biblioteca. 

Diferentemente dos demais vestibulares, a redação da Unicamp não exige apenas o tipo dissertativo argumentativo, mas pede a produção de textos de diferentes gêneros.

Para o coordenador de português do curso Etapa, Heric José Palos, as propostas deste ano mantiveram a tendência das últimas edições do vestibular. "A Unicamp quer um candidato bem preparado, que saiba se expressar. Por isso, a proposta de fugir da redação tradicional, formatada. Ela quer um candidato que saiba fazer um texto real, que domine a linguagem e o formato adequados para cada situação", disse. 

Laudemir Guedes Fragoso, professor de Português do curso Objetivo, os temas abordados na redação foram atuais e exigiam uma reflexão do aluno. "O candidato tinha que pensar nos estrangeiros que estão chegando ao país, como os haitianos e as condições com que estão sendo recebidos no Brasil". 

Segundo os professores, a segunda proposta foi mais exigente já que exigia um texto de gênero misto, descritivo e argumentativo. "Primeiro o aluno deveria apresentar o projeto, falar sobre o papel da biblioteca e as dificuldades que enfrentavam para a arrecadção. Depois, ele deveria trazer elementos que seriam convincentes para alguém patrocinar o projeto", disse Fragoso. 

Cada texto vale 24 pontos, totalizando 48. 

Prova. Além da redação, os candidatos também fizeram neste domingo a prova de Língua Portuguesa. Foram seis questões - três sobre linguagens e três sobre literatura e os livros de leitura obrigatória. 

"Não foi uma prova difícil e as questões abordaram de forma clássica e tradicional vários temas. O aluno que refez provas de anos anteriores, não deve ter tido dificuldades", disse Palos. 

Para Fragoso, a prova não estava difícil e prezou mais por analisar a capacidade de interpretação e expressão do aluno do que o conteúdo. "A Unicamp quer um aluno que entenda como um texto funciona, tanto para interpretá-lo como para produzí-lo, e a prova refletiu isso. As questões eram inteligentes, voltadas para um aluno com capacidade de análise e interepretação, e não para um aluno que conhece macetes de vestibular", disse. 

Provas. Nesta segunda-feira, 16, os candidatos fazem as provas de Geografia, História e Matemática. Na terça-feira, 17, é o dia das provas de Biologia, Química e Física. Na quarta-feira, 18, a Unicamp irá divulgar as respostas esperadas nas provas. 

A primeira lista de aprovados no vestibular da Unicamp será divulgada em 13 de fevereiro. Os convocados devem efetivar a matrícula pela internet nos dias 14 e 15 de fevereiro. Para esta edição, a universidade oferece 3.330 vagas em 70 cursos de graduação. 

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