Isabela Palhares/Estadão
Isabela Palhares/Estadão

Capital e Grande SP têm 19 escolas ocupadas

Na manhã desta segunda-feira, o MTST divulgou mais duas escolas em que faz protestos; outras unidades foram desocupadas

Luiz Fernando Toledo e Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

16 Novembro 2015 | 13h00

Atualizada às 16h22

SÃO PAULO - A cidade de São Paulo e a região metropolitana têm, nesta segunda-feira, 16, um total de 19 escolas estaduais ocupadas por estudantes, pais, professores e pelo Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST). Na manhã desta segunda-feira, o MTST informou fazer manifestação em mais duas unidades: Escola Estadual Professor Flávio José Negrini e Escola Estadual Professora Neyde Sollit, ambas na região de Campo Limpo, zona sul de São Paulo.

A Secretaria de Educação do Estado confirmou a ocupação de 17 escolas. Alunos também ocuparam uma escola no interior,  em Santa Cruz das Palmeiras, a 250 km de São Paulo.

Além disso, a Escola Estadual João Kopke, em Campos Elíseos, região central da capital, foi ocupada por estudantes no início da manhã desta segunda-feira. O portão foi trancado com grades e cadeado. A reivindicação é que a unidade não feche as salas de ensino médio no ano que vem. Ao lado de fora, alguns professores da unidade afirmaram que a medida é uma espécie de "fechamento a longo prazo".

"É uma desorganização. Essa escola é a única referência de ensino médio que eles têm na região. Querem mandar os alunos para Santa Cecília, mas eles moram aqui", disse a professora de História Maria Aparecida Gomes da Silva, de 53 anos.

"Estamos apoiando o movimento deles", afirmou a professora de Português Andreia Cristina Gonçalves, de 43 anos.

O protesto é acompanhado pelo lado de fora pela Polícia Militar. Os alunos, que estão vigiando a entrada para impedir que estranhos entrem no colégio, pretendem passar a noite no local. "Vamos ficar até não tirarem a gente mais daqui", disse a aluna do 1° ano do ensino médio Ingrid Lopes da Silva, de 16 anos, moradora do bairro. "Não vai prejudicar só a mim, mas a todos da comunidade."

Frequentadora da Cracolândia há um ano, Benedita Pereira de Souza, de 45 anos, chegou à escola João Kopke para oferecer ajuda aos alunos que ocupam a unidade. Ela chegou ao local acompanhada do Padre Julio Lancelotti, da Pastoral Povo de Rua, para entregar comida e cobertores para que os estudantes passem a noite no colégio. 

"Vim apoiar a luta deles. Eu fui cabeça fraca e não estudei quando deveria. Eles precisam estudar em escola boa, senão vai parar na cracolândia como eu", disse Benedita, que mora na rua há um ano, depois de se tornar viciada em crack.

Os atos são realizados contra a reorganização das escolas para ter só um ciclo por unidade (ensino fundamental de 1º  a 5º ano, de 6º a 9º ano e ensino médio) e o fechamento de 93 unidades em todo o Estado. De acordo com a Secretaria Estadual de Educação, dois colégios que haviam sido invadidos na última semana já foram desocupados: Escola Estadual Pio Telles Peixoto e Escola Estadual Elizete Oliveira Bertini. Além disso, a pasta afirma que a Escola Estadual Mary Moraes registrou apenas uma manifestação, mas a unidade não foi invadida. 

Neste fim de semana, o Estado revelou que o plano da secretaria é baseado em um documento de 19 páginas que cruza dados do principal indicador de qualidade educacional de São Paulo, o Idesp, e o desempenho de escolas que tenham ciclo único e mais de um ciclo. O resultado obtido pela pasta é que as unidades que atendem a determinada faixa etária com exclusividade se dão melhor na avaliação, mas o estudo foi criticado por especialistas por não considerar outras variáveis. 

Na Escola Estadual Fernão Dias, em Pinheiros, os estudantes desde o início da semana passada. Uma liminar da Justiça havia liberado a reintegração de posse do prédio na sexta, mas após pedido do Ministério Público Estadual e da Defensoria Pública, o juiz Luis Felipe Ferrari Bedendi voltou atrás e revogou a decisão.

Sem-Teto.  Gabriel Simeone, da coordenação do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), disse que, além das seis escolas já ocupadas, o movimento deve promover novas ocupações nos próximos dias. “É um movimento crescente e só vamos parar a hora que o governo voltar atrás dessa medida que só vai prejudicar os estudantes”.

Interior. Além das escolas da Grande São Paulo, cerca de 30 alunos ocuparam a escola estadual Prefeito Mario Avesani, em Santa Cruz das Palmeiras. A unidade deixará de ter Ensino Médio no próximo ano e os cerca de 300 alunos do ciclo serão transferidos para uma escola no centro da cidade. 

“Não nos ouviram, não explicaram o motivo da nossa transferência. Não houve diálogo com a comunidade. Vão nos mudar para uma escola que já é cheia, não tem como melhorar a qualidade do ensino dessa forma”, disse o aluno Antonio Bruno Teixeira, de 17 anos, que está no 1º ano do ensino médio. Segundo ele, os alunos ocuparam a escola nesta segunda-feira, 16, pela manhã e trocaram os cadeados da unidade para impedir a entrada dos funcionários.

Em nota, a Secretaria Estadual de Educação afirmou que "continua disposta a dialogar com os manifestantes, apesar das constantes negativas desses grupos".  A pasta diz ainda que "lamenta que grande parte dessas invasões seja liderada por representantes de movimentos que desconhecem o processo de reorganização da rede de ensino".  Disse ainda que "não pactua com movimentos político-partidários que não têm como objetivo a melhoria da qualidade de ensino e cerceiam o direito dos alunos de assistirem as aulas". O conteúdo perdido nas aulas nestas unidades deverá ser reposto, segundo a secretaria. 

Mais conteúdo sobre:
apeoesp

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.