Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Capez aposta em cansaço dos estudantes para desocupar Alesp

Entrada de alimentos foi impedida e todos os acessos estão bloqueados pela PM; cerca de 70 alunos seguem no plenário

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S.Paulo

04 Maio 2016 | 10h59

SÃO PAULO - O presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), deputado estadual Fernando Capez (PSDB), apostou no cansaço dos cerca de 70 estudantes que ocupam o plenário da Casa, desde a tarde de terça-feira, para esvaziá-lo. Durante todo o dia, nesta quarta, a Polícia Militar reforçou a segurança com mais de 50 homens.

Para evitar o “entra e sai” e enfraquecer o movimento, Capez decretou ponto facultativo aos funcionários e bloqueou todas as entradas, vigiadas pela PM. Nem a imprensa teve acesso ao plenário onde estão os estudantes. A entrada de alimentos também foi impedida até por volta das 13 horas. Paralelamente, o deputado protocolou na Justiça, no início da tarde, pedido de reintegração de posse.

“Nós optamos, em vez de determinar a retirada dos estudantes, em procurar a Justiça. O espaço que está sendo ocupado impede o próprio funcionamento da Casa. Na medida em que os alunos forem saindo, não retornarão”, disse Capez. “Com essa estratégia de saturação, pretendemos recuperar o espaço sem a necessidade de confronto”, afirmou.

É o segundo dia de ocupação na Alesp. Os estudantes entraram na tarde de terça-feira e passaram a noite no Plenário Juscelino Kubitschek. 

A ocupação tem como objetivo pressionar os deputados a instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a chamada “Máfia da Merenda”, que teria desviado recursos da alimentação escolar na rede estadual de ensino. Capez é o principal alvo dos estudantes e disse que foi o primeiro a assinar a lista para a criação da CPI. O documento precisa da adesão de 32 parlamentares, mas até agora 25 assinaram.

Diferentemente do primeiro dia de ocupação, quando um computador foi quebrado e um deputado foi filmado empurrando um PM, nesta quarta não houve confrontos. Um ato em defesa dos estudantes foi realizado às 14 horas em um dos portões da Alesp por grupos de movimentos sociais, com cerca de 30 pessoas. Eles montaram uma barraca na calçada para arrecadar alimentos. Na noite desta quarta, cerca de cem pessoas continuavam na frente do prédio em apoio aos estudantes. Eles fizeram um sarau com a presença do ator Gero Camilo.

O padre Júlio Lancelotti, da Pastoral do Povo de Rua, foi ao local para apoiar os estudantes e distribuir pães e chocolate quente preparados por moradores de rua. “Estamos em um tempo em que é uma virtude ser desobediente e não obedecer nenhuma ordem injusta”, disse ele, em discurso aos alunos, na madrugada desta quarta. O cantor Chico César fez um show para os jovens.

Reforço. Segundo o tenente Felipe Pacheco Silva Cabanas, o prédio ganhou o reforço da Força Tática. Por volta das 20h30, 47 policiais estavam na assembleia. “Estamos aqui para garantir a segurança, para evitar qualquer depredação. Ficaremos durante toda a madrugada aqui”, disse ele. / COLABOROU ISABELA PALHARES

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