Capes vai rever avaliação de cursos de pós-graduação

O novo presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Carlos Roberto Jamil Cury, quer rever o sistema de avaliação dos cursos de pós-graduação. O formato atual foi estabelecido em 1998. "Já é hora de definirmos quais critérios devem ser mantidos e quais precisam de melhor clareza", afirmou Cury ao Estado.Entre os pontos que estão na mira do novo presidente está a definição do núcleo permanente do corpo docente. Hoje, professores com essa classificação precisam dedicar 30 horas semanais de trabalho à instituição a que estão ligados. Cury quer lançar um debate para verificar se essa jornada deve ser ampliada para 40 horas semanais."É preciso ainda definir o que isso significa: a jornada precisa ser cumprida apenas na pós-graduação? Será que horas de aula na graduação também devem ser consideradas?", questiona.A proposta da "avaliação da avaliação" será feita ao conselho da Capes, que representa as oito grandes áreas de conhecimento.Indicado nesta segunda-feira para o cargo, Cury diz que pretende ampliar o diálogo e a participação da comunidade científica na coordenação. Professor aposentado de história da Universidade Federal de Minas Gerais e professor da Pontifícia Universidade Católica, Cury afirma que irá manter a linha de trabalho que a Capes vem desenvolvendo. "Em time que está ganhando não se mexe", diz. Mas ele admite que pretende colocar "alguma marca pessoal" na administração.Um tema que receberá atenção do professor é a queixa de muitos alunos da área de humanas para a concessão de bolsas da Capes. Cury atribui o menor número de bolsas às notas classificatórias do sistema de avaliação. Para atenuar as diferenças nas diversas áreas de conhecimento, o professor defende a existência de um sistema de avaliação universal, mas com critérios específicos."Às vezes, um trabalho na área de humanas ou na área de biológicas exige um período maior de maturação. Podemos ter alguns critérios diferenciados, sem que isso prejudique o rigor acadêmico."Cury diz que também vai analisar as dificuldades para a concessão de bolsas. Ele argumenta que há um número crescente de candidatos. E um orçamento que não acompanhou essas mudanças. "Ainda não assumi. Mas certamente esse assunto será avaliado por nós."

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