Candidatos do Ciência sem Fronteiras que iriam a Portugal poderão fazer intercâmbio em outros países

Medida abrangerá 9.691 alunos; Capes diz não ser 'viável' alocar bolsistas em universidades portuguesas

Agência Brasil,

04 Março 2013 | 19h18

Candidatos a bolsas do programa Ciência sem Fronteiras em Portugal poderão transferir as inscrições para os Estados Unidos, o Reino Unido, a Austrália, o Canadá, a França, a Alemanha, a Itália ou para a Irlanda. Ao todo serão contemplados com a medida 9.691 candidatos que tiveram pontuação acima de 600 no Enem, qualificação condizente com os critérios do programa. Não será exigido o nível de proficiência pedido nos editais específicos para os programas.

 

De acordo com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), "não é viável alocar esse elevado número de estudantes nas instituições portuguesas" e informa que as vagas que esses alunos vão ocupar serão negociadas com os parceiros estrangeiros. "Cabe ressaltar que essas novas concessões serão adicionais e ocorrerão sem prejuízo das seleções em andamento das chamadas específicas para esses países."

 

Durante seis meses, os estudantes terão aulas do idioma do país de destino, em tempo integral, para que, "aqueles que ainda não tenham o nível de proficiência linguística necessário, (tenham) a possibilidade de imersão de forma eficiente e rápida no aprendizado do idioma estrangeiro antes do início do curso". No caso de países de língua inglesa, será colocada à disposição, prioritariamente, senha pessoal de acesso ao curso de inglês online disponível no Portal de Periódicos da Capes (www.periodicos.capes.gov.br)

 

Segundo a Capes, ainda não está definido o número exato de vagas que serão abertas para Portugal. "A definição depende de um conjunto de variáveis tais como: as áreas e cursos dos candidatos, as instituições estrangeiras de qualidade aptas a receber os estudantes, os calendários acadêmicos, a negociação com os parceiros estrangeiros, a oferta de alojamento e acomodações, bem como o número total de candidatos aprovados", segundo informou a nota divulgada pela autarquia.

 

Conforme dados divulgados no fim de 2012, Portugal é o principal destino dos estudantes brasileiros de graduação bolsistas do Ciência sem Fronteiras. Do total de 12.193 alunos incluídos no programa, praticamente 20% optou por cursar parte do ensino superior em uma instituição lusitana. Entre os motivos para a escolha de Portugal está a inexistência de barreira linguística, uma vez que o país não exige exame de proficiência dos brasileiros.

 

O Ciência sem Fronteiras foi lançado em 2011 para estimular o intercâmbio de alunos que cursam graduação, pós-graduação ou cursos técnicos. Até o final do mês passado, cerca de 18 mil bolsas foram oferecidas, segundo o Ministério da Educação (MEC).

 

A meta do governo é oferecer 101 mil bolsas de estudo até 2015. Até janeiro deste ano, foram oferecidas 22.646, o equivalente a 22,4% da meta. No total, 75 mil serão oferecidas pelo governo federal - as demais terão apoio da iniciativa privada. A previsão é de que entidades do setor financeiro contribuirão com 6,5 mil bolsas, por exemplo.

 

O investimento no programa chegará a US$ 180,8 milhões, dos quais US$ 18 milhões foram aportados em 2012.

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