Candidatos defendem realização de nova prova para quem fez caderno de questões amarelo

Em BH, professora mostrou à organização do Enem prova com 32 erros

Marcelo Portela, Especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

07 Novembro 2010 | 19h26

Revoltada com a quantidade de erros no caderno de questões amarelo, a professora Soraia Belton, de Belo Horizonte, questionou hoje a organização do Enem. A filha dela, Carolina Belton, de 17 anos, chegou ontem em casa reclamando das orientações que recebeu do fiscal. "O problema é que em cada lugar teve uma orientação diferente. Teve gente que trocou o caderno, teve uns que disseram para os candidatos marcarem tudo e, no nosso caso, o fiscal mandou privilegiar a questão do caderno amarelo quando tinha repetida", disse Carolina.

 

Com a prova nas mãos, Soraia mostrou os 32 erros encontrados no material: duas questões número 34, duas 35, duas 73, duas 74, a questão 33 igual à 38 e a inexistência das questões 21, 76 e 77, entre outros.

 

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Segundo Carolina, nas questões inexistentes, foi orientada a deixar o gabarito em branco. Sem saber qual será o critério para correção das provas, teme não conseguir uma das vagas do curso de Medicina da UFMG, tradicionalmente o mais concorrido da instituição. "As provas são corrigidas por máquinas. Como elas vão saber por que tem questões em branco e quais eram repetidas? Para mim, o melhor seria anular o exame todo, mas sei que não é justo com quem fez a prova certa."

 

Para a estudante, a saída menos injusta seria um novo teste para os candidatos que responderam as provas com problemas. "Não tinha nem pensado em uma solução. Queria resolver isso de uma vez. O certo mesmo é que não poderia haver erros na prova", ressaltou. Mas sua mãe observou que, mesmo no caso de um novo exame, parte dos estudantes já foi prejudicada. "Como fica todo o investimento físico, psicológico, de tempo e até financeiro que essas pessoas fizeram?

 

É um investimento de uma vida inteira. E em que condições psicológicas esses meninos vão fazer outra prova", esbravejou.

 

Novo teste

 

Apesar de não ter encontrado novos problemas no segundo dia do Enem, o estudante César Pereira Gavião, de 21 anos, defende que ao menos os candidatos que fizeram as provas amarelas no sábado sejam submetidos a novo teste por causa de erros no material. Ele afirma que contou ao menos uma dezena de falhas no caderno de provas, incluindo a falta de questões e tópicos repetidos.

 

O estudante disputa uma vaga no curso de Ciência da Computação da UFMG, que adotou o Enem como primeira fase do vestibular, e afirmou que, por volta de 14h30, quando foi orientado pelo fiscal da prova sobre como deveria proceder, já havia feito parte do exame.

 

"Eu já tinha marcado umas dez questões na ordem errada, tudo com caneta preta. Só o resto que troquei a ordem", contou César. "Não é só por minha causa. Acho que deveriam refazer (as provas) porque muita gente foi prejudicada", acrescentou o rapaz, que saiu de Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte, para fazer a prova na zona sul da capital.

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