Candidatos a reitor da USP avaliam consulta eleitoral

Professores comemoraram alta participação de professores; votação não tem efeito prático na eleição final, do dia 19

Paulo Saldaña e Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

11 Dezembro 2013 | 21h09

Os candidatos ao cargo de reitor da Universidade de São Paulo (USP) avaliaram que a consulta à comunidade sobre o pleito foi positiva. Os professores comemoraram a alta participação de professores, de 49,5% do total.

A consulta é apenas indicativa para a eleição definitiva, agendada para o dia 19.  Essa foi a primeira vez que o processo de escolha de reitor contou com a consulta a toda comunidade da USP. Ocorrida na terça-feira, dia 10, a consulta teve a participação de 13,8 mil alunos, professores e funcionários - 14% do total de 100.734 eleitores.

Apesar de não ter efeito prático na sucessão, o resultado expõe a vontade da maioria e pode ser um indicativo para Assembleia Eleitoral, que define a lista tríplice a ser encaminhada para o governador Geraldo Alckmin (PSDB). É o governador quem nomeia o reitor.

Mais votado na consulta, o candidato Marco Antônio Zago, ex-pró-reitor de Pesquisa, ressaltou a participação expressiva de docentes. “Grande parte dos membros do colégio eleitoral já votaram na consulta“, diz ele, para quem a vontade da maioria deve ser um indicativo relevante na eleição final. “Se a universidade levar ao governador um lista discrepante do que se viu consulta geral, poderia criar uma confusão do que de fato a universidade quer.” Zago recebeu 6.678 votos - e foi o mais votado entre os docentes e alunos.

Para Hélio Nogueira da Cruz, ex-vice-reitor, segundo colocado entre os professores, é possível prever alterações no cenário a partir do que a consulta revelou. “Notamos que a presença dos docentes variou muito entre as unidades. Depois da consulta, começa a ter reagrupamento de forças”, diz ele. Entendemos que nosso desempenho foi bastante satisfatório e há muito espaço de avanço.” Hélio recebeu 4.343 votos no total e foi o segundo preferido entre os professores.

Na opinião de José Roberto Cardoso, último colocado na consulta prévia, medidas de pressão da reitoria influenciaram o processo. "Houve reunião com diretores para saber o que eles queriam. Atitudes desse tipo prejudicam quem está fora da estrutura de poder", argumenta. Cardoso ainda afirma que, caso não entre na lista tríplice encaminhada ao governador, pode apoiar um dos adversários - exceto a candidatura de situação, de Wanderley Messias da Costa.  Cardoso teve 3.344.

Segundo colocado no painel geral, com 5.504, Costa não foi encontrado pela reportagem.

Ponderada

A participação na consulta foi desigual entre os grupos da universidade. Apenas 3,21% dos alunos votaram, enquanto 49,5% dos professores e 46,8% dos funcionários participaram.

Com relação aos alunos, a avaliação dos candidatos sobre a baixa adesão é o boicote ao processo, que não viram avanços no modelo, e o calendário. A maioria dos alunos já está de férias.

Se os votos forem ponderados (dando peso diferente a cada grupo), o panorama não se altera. Levando em conta o que se prega na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), em que professores devem representar até 70% em conselhos, Zago apareceria em primeiro, seguido de Costa, Helio e Cardoso.

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