Câmpus Paulínia da Universidade São Marcos sofre intervenção judicial

Apenas o câmpus do Ipiranga - do qual a universidade foi despejada posteriormente, em dezembro - havia sido tomado pelo interventor

Mariana Mandelli, de O Estado de S. Paulo,

10 Janeiro 2012 | 20h13

SÃO PAULO - O câmpus de Paulínia da Universidade São Marcos (USM) foi tomado pela intervenção judicial. A ação ocorreu na tarde desta terça-feira, quando o perito judicial Carlos Roberto Galli esteve no prédio.

Na realidade, a universidade está sob intervenção judicial desde setembro por descumprimento de obrigações trabalhistas. Mas, até agora, apenas o câmpus do Ipiranga - do qual a universidade foi despejada posteriormente, em dezembro - havia sido tomado pelo interventor. O único câmpus que está sob comando dos antigos mantenedores é o do ABC, que deve ser tomado em breve.

Além da intervenção judicial, a São Marcos está sob supervisão do MEC desde março passado, para a verificação de possíveis irregularidades na gestão administrativa e na composição do corpo docente, além de indícios de insustentabilidade financeira. Uma medida cautelar do governo federal determinou a suspensão do ingresso de novos alunos e das prerrogativas de autonomia universitária, até que a análise documental do recredenciamento da instituição seja finalizada com parecer satisfatório.

Por conta de todo o quadro, uma nova reitora foi nomeada - a professora Maria Aurélia Varella. Mas há um embate interno: para os mantenedores, o cargo é de Ernani José de Paula, reitor em exercício e filho do fundador da São Marcos, Ernani Bicudo de Paula.

Para José de Paula, a tomada do prédio de Paulínia foi arbitrária. "Teve presença de força policial sem necessidade, porque nós fornecemos todos os documentos solicitados por ele", afirma. "Acho estranho isso ocorrer nesse momento, porque a ordem judicial existe desde setembro."

Ele entrou com mandado de segurança, com pedido de liminar, contra a 42.ª Vara do Trabalho de São Paulo, de onde partiu a ordem para a intervenção judicial.

O administrador judicial Carlos Roberto Galli afirma que as atuações não ocorreram antes por falta de equipe. "Poderíamos ter tomado os três câmpus ao mesmo tempo", explica.

Segundo a reitora Maria Aurélia, haverá um esquema de rodízio de equipes para dar conta dos câmpus de Paulínia de São Paulo. "Minha preocupação ainda é o câmpus do ABC, de onde veiculam notícias falsas sobre rematrícula e vestibular", afirma.

A universidade contava até hoje com dois sites: o original, que consta no e-MEC e é atualizado pela equipe de Ernani José de Paula; e outro que é atualizado pelos interventores e por uma comissão de coordenadores e diretores. Agora, com ordem judicial, os interventores retomaram o site original.

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