ALEX DE JESUS|O TEMPO
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'Caminhos para combater o racismo no Brasil' é o tema do Enem

Neste domingo, é realizada a segunda prova do Enem para candidatos que tiveram a prova adiada; primeiro exame, em novembro, teve como tema 'caminhos para combater intolerância religiosa no Brasil'

Isabela Palhares e Leonardo Augusto, O Estado de S. Paulo

04 Dezembro 2016 | 13h59

SÃO PAULO - O tema da redação da segunda aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é "Caminhos para combater o racismo no Brasil". Neste domingo, 4, 280 mil alunos fizeram também as provas de matemática e linguagens, com 45 questões múltipla escolha cada. 

A primeira aplicação ocorreu nos dias 5 e 6 de novembro em todo o país. Neste final de semana, fizeram o Enem cerca de 280 mil participantes cujas provas foram adiadas porque os locais onde fariam os exames estavam ocupados por manifestantes contrários à PEC do Teto de Gastos e à reforma no ensino médio, propostas do governo Michel Temer. 

 

Na primeira aplicação da prova, o tema da redação foi “Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil”. De acordo com o Inep, a proposta de redação deste domingo trouxe quatro textos motivadores: um que trata da condição do homem negro; o segundo é um artigo de lei que tipifica o preconceito de raça ou de cor como crime; o terceiro é uma peça publicitária que distingue o racismo de injúria racial; e o quarto traz uma definição acerca do que são ações afirmativas.

Equilíbrio. Para professores de cursinho, o tema da redação de ontem teve grau de dificuldade similar ao do exame realizado em novembro. Apesar de o assunto ser parte do cotidiano dos candidatos, eles afirmam que isso não necessariamente facilita a escrita. 

João Filho, professor de redação do Sistema Ari de Sá, disse que a equivalência das redações foi mantida. "Se por um lado, a questão racial tem um espectro mais amplo para o debate e o aluno tem um repertório menor para debater a questão religiosa. Por outro lado, o problema pode estar exatamente em o aluno ter um repertório muito grande sobre o problema racial e se perder, não conseguir se organizar para um bom texto. Por isso, acho que o grau de dificuldade foi equilibrado nas duas propostas", disse. 

Péricles Polegatto, professor do COC, disse que, por o tema ser muito presente na vida do estudante, a redação exigia boa capacidade de argumentação. “Não adianta só o aluno apresentar o problema, mas discutir soluções e propor formas de combate à discriminação.” 

Para a professora Maria Aparecida Custódio, do cursinho Objetivo, a redação de ontem foi mais fácil pela proximidade dos alunos com o tema. "É um tema que discutimos há séculos no Brasil, tem a ver com a nossa história. Já a questão religiosa é uma discussão muito mais recente. Mas, para o formato exigido pelo Enem, saber mais sobre o assunto não necessariamente garante que vá fazer uma boa redação". 

Para Maria Aparecida, o grande "perigo" para o aluno neste domingo era citar muitos exemplos ou abordar muitos argumentos e esquecer da proposta de intervenção para combater a discriminação. "Um tema muito familiar pode ser tão perigoso como aquele sobre o qual não se sabe nada. O grande risco é o aluno acumular ideias, amontoar argumentos e criar uma redação confusa."

Walesca Geamenond, de 18 anos, fez a prova em Belo Horizonte e disse ter achado fácil o tem ada redação. "As provas hoje foram cansativas, mas não por causa da redação, que foi fácil. Pesada estava a prova de matemática", disse a estudante que pretende ingressar em direito. 

"Falei sobre o sistema de quotas, que vem ajudando a reduzir a desigualdade racial no país", disse Wemerson Acácio, de 29 anos , na saída do teste. O estudante cursa gastronomia e pretende agora fazer nutrição

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