Cai o número de escolas com sistema de ciclos

Apesar de ser defendido por grande parte dos educadores, o sistema de ciclos perdeu espaço entre as escolas brasileiras. Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) do Ministério da Educação divulgados na terça-feira indicam que passou de 7,8 milhões para 7,3 milhões o número de alunos matriculados nesse sistema no País entre 2001 e 2002. Na Paraíba, por exemplo, o número de escolas cicladas caiu de 149 para três."Talvez tenha virado um grande modismo, que as escolas não conseguiram manter", acredita a educadora da Universidade de São Paulo (USP) Sílvia Colello. No ensino fundamental, há dois ciclos (da 1.ª à 4.ª série e da 5.ª à 8.ª série) e a reprovação só ocorre no fim dessas etapas. "Mas o problema dos ciclos é que eles não foram implantados", diz a educadora, afirmando que nem professores nem escolas foram preparados adequadamente para o sistema.Pressão dos paisSílvia atribui a esse fato à pressão que parte principalmente de pais. Considerado um sistema de "progressão continuada", os ciclos são vistos como responsáveis pela aprovação de crianças que não aprenderam nada.Em São Paulo, 500 mil alunos voltaram ao sistema da educação seriada. Segundo a Secretaria do Estado da Educação, o motivo é a municipalização ? transferência de escolas para prefeituras, que não são obrigadas a adotar os ciclos.AvançoA coordenadora de Programas da Secretaria de Educação do Rio, Ângela Fernandes, se disse "surpresa" com a pesquisa, segundo a qual caiu de 197 mil para 153 mil o número de alunos que estudam em sistema de ciclo. Sem apresentar números, ela afirmou que "um levantamento de 2003 vai mostrar um quadro diferente"."Os ciclos são um avanço. O aluno não fica estigmatizado com a repetência", disse.Apesar do saldo negativo no País, houve Estados em que aumentou o número de escolas com ciclos. Em Pernambuco, o crescimento foi de 50 para mais de 100 mil matrículas.

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