Caderno no mochilão

Nas férias, estudantes e profissionais buscam cursos de curta duração no exterior para incrementar formação

Felipe Mortara, Larissa Linder e Carlos Lordelo, Estadão.edu

30 Novembro 2010 | 02h35

O ano está acabando, a temperatura subiu e o assunto férias é cada vez mais frequente. Alguns estudantes já programaram onde vão passar o verão.  Eles estão com as malas prontas para embarcar para o exterior, onde, além de conhecer outra cultura, irão fazer cursos de curta duração e, de quebra, ganhar  pontos em sua formação.

 

Esses jovens não querem apenas aumentar seus conhecimentos em inglês. Cursos vendidos em pacotes combinados de inglês e negócios, design e moda, espanhol e dança, mandarim e pintura chinesa, por exemplo, são procurados por quem deseja aprender mais durante o período de lazer.

 

As experiências fora do País, em geral, são mais bem aproveitadas por quem está no ensino médio, na faculdade ou no início da vida profissional. Segundo a professora da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da USP Tânia Casado, só o fato de conhecer uma nova cultura por si só enriquece a perspectiva de quem viaja.

 

“Esse contato com pessoas de outros países ensina a lidar com a diversidade. É um ganho pessoal que se reflete no lado profissional”, afirma.

 

Veja também:

 

- O diário de bordo de quem fez cursos no exterior

 

A presidente da Belta, associação que reúne empresas das áreas de cursos, estágios e intercâmbios no exterior, concorda. Maura Leão ressalta que o importante é nutrir a expectativa certa. “Não adianta achar que, quando voltar ao Brasil, vai receber uma promoção.”

 

No caso dos jovens que vão para fora do País fazer cursos de idiomas ou estudar parte do ensino médio, Maura diz que os frutos são colhidos no curto prazo – como a aquisição mais fácil de uma língua estrangeira – e, principalmente, no futuro. “É uma questão de estratégia. Um garoto que viajou aos 16 anos vai sentir muito tempo depois o reflexo daquele investimento que o pai fez.”

 

Existem muitas possibilidades para os estudantes. Nos EUA, os alunos do ensino médio podem ficar hospedados em câmpus e cursar algumas matérias da faculdade, em uma espécie de pré-graduação.

 

O estudante Henrique Freitas, de 18 anos, pode ser considerado um veterano em intercâmbios de curta e média duração. Aos 13 anos, ele foi para os EUA estudar biologia e fisiologia humana e eletrônica na Universidade de Denver. No ano seguinte, o então aluno do Porto Seguro, escola paulistana de raízes alemãs, tirou férias para reforçar o idioma na cidade de Bad Dürkheim, na Alemanha.

 

Aos 15 anos, o estudante seguiu para Universidade de Oxford, na Inglaterra, para um curso de escrita criativa e oratória. Em 2009, Henrique escolheu a Universidade de Stanford, nos EUA, para aprender macroeconomia e comunicação política.

 

No mesmo ano, o estudante e foi admitido em Princeton, nos EUA, onde quer se graduar em Economia – mas não sem antes viajar mais um pouco.

Henrique está em Acra, capital de Gana, na África, desde setembro, onde ficará por nove meses fazendo trabalho voluntário. “Estou morando em uma casa de família, trabalhando em ONGs e aprendendo a falar a língua local. Depois, sigo para a região central do país, para servir de tutor em escolas”, explica Henrique. “Depois da faculdade, volto para o Brasil. Viajar é bom, mas não há nada como sua casa.”

 

Pelo Oriente. Assim como Henrique, o mercado de intercâmbio brasileiro carimbou muito passaporte nos últimos anos. Números da  Belta apontam que, entre 2005 e 2010, cresceu 34% o número de pessoas que fazem cursos de férias. Somente este ano, o órgão estima que 160 mil terão viajado  para o exterior com o objetivo exclusivo de estudar.

 

Os países mais procurados por estudantes ainda são os de língua inglesa, como Canadá, EUA, Reino Unido, Austrália e Nova Zelândia. Mas os emergentes China e Índia ganham cada vez mais espaço entre os destinos dos viajantes.

 

O consultor de sistemas de gestão empresarial Alexandre Costa, de 31 anos, embarca dia 26 de dezembro para Nova Délhi, na Índia. Em dois meses, quer aprimorar seu inglês.

 

“Saiu mais barato do que se eu optasse por um país ocidental que fale inglês”, diz o consultor, que fez outro intercâmbio em 2004, no Alabama (EUA). “Naquela época, eu ainda não dominava o idioma. Agora será mais tranquilo.” Na agenda, Alexandre, que é professor convidado da FEA-USP, vai levar anotado os contatos de profissionais de TI de Mumbai. “Quero conhecer gente renomada da área.”

 

Outro que vai aproveitar a viagem para ativar contatos profissionais é o estudante de Relações Internacionais da PUC-Minas Felipe Saraiva Fernandes, de 21. Ele viaja para a China amanhã e vai passar o verão brasileiro aprendendo mandarim e estagiando na área de marketing em uma empresa de recrutamento. “Ver de perto como funciona uma das maiores economias do mundo será fantástico”, diz Felipe.

 

Inglês das ruas. Até mesmo cursos de inglês são ferramentas que incrementam a formação – principalmente quando servem para o  estudante alcançar outro estágio na carreira, como a bacharel em Comunicação Social Bruna Calheiros, de 25. Desde setembro, ela está em Nova York fazendo um  curso de inglês preparatório para o teste de proficiência Toefl. Seu objetivo é fazer uma pós em Design e Tecnologia na cidade. “Fazer inglês aqui é  diferente. A gente vai para a escola todo dia. Isso sem contar as conversas na rua.”

 

Para aperfeiçoar o inglês, o analista de sistemas Jorge Augusto Silva, de 31, foi para o outro lado do planeta no verão de 2006. Ele passou um mês na Nova Zelândia, em casa de família. Valeu a pena, conta: “Na volta, consegui um emprego que pedia inglês fluente para lidar com estrangeiros.”

 

Para o especialista em carreiras Rolando Pelliccia, diretor da consultoria de RH Hay Group, intercâmbios rápidos são vistos com bons olhos pelo mercado. “Mesmo um curso de um mês demonstra o compromisso do profissional com seu próprio desenvolvimento”, afirma.

 

O administrador Carlos Mazzutti, de 29 anos, recebeu um convite após investir no aprendizado de espanhol fora do País. Ele já estudava a língua aqui, mas foi depois de aulas intensivas de 30 dias, Em Buenos Aires, no verão de 2005, que o funcionário da Nestlé foi chamado para trabalhar quatro meses na filial da empresa no Chile, ano passado.

 

Mazzutti gostou tanto da experiência que, em setembro, tirou férias e fez um novo intercâmbio, na Califórnia (EUA), onde passou um mês estudando inglês. “Fui focado 100% no idioma. Foi uma experiência única, inesquecível.”

 

Experiência cultural. Se os países de língua inglesa atraem brasileiros em busca de aliar lazer e pontos no currículo, a Europa é  opção para quem prefere programas, digamos, mais culturais, como a aluna de Arquitetura da Faap Rossana Cerello, de 22 anos. Este ano ela participou de um  curso de três semanas de design de interiores sustentável na Florence University of the Arts, na Itália.

 

“Em pouco tempo, aprendi muita coisa sobre uma área que desconhecia e que está em alta”, conta Rossana.

 

Interessada na cultura europeia, a bacharel em Turismo e Hotelaria Bruna Kotzias, de 24 anos, escolheu Londres para estudar negócios, no West London College. “Queria agregar mais valor à minha pós em Gestão Empresarial conhecendo outros modelos”, diz.

 

Para a professora Tânia Casado, o profissional que investe em cursos rápidos no exterior “ enriquece sua perspectiva” e melhora sua formação – não importa se está no fim ou no início da carreira.

 

Onde estudar

 

Alemão e Música (ou Canto)

Viena, Áustria

4 semanas * - custo: € 1.620 **

 

Alemão e Esportes de Inverno

Viena, Áustria

4 semanas

custo: € 1.396 + despesas esportivas

 

Inglês e Mergulho

St. Paul's Bay, Ilha de Malta

4 semanas

custo: € 1.400 + € 300 semanais de aulas de mergulho

 

Cultura Global Intercâmbio

Tel.: 11 3284-4415

http://www.culturaglobal.com.br/

 

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Cursos Profissionalizantes (diversas áreas)

Canadá ou Austrália

A partir de 12 semanas

CAN$ 3.720

Inglês e Estágio não remunerado (diversas áreas)

EUA, Canadá, Inglaterra, Irlanda, Espanha ou Argentina

8 semanas

£ 1.630

 

Experimento

Tel.: 11 3707-7122

http://www.experimento.org.br/

 

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Inglês e Moda

Nova York, EUA

4 semanas

US$ 4.230

 

Italiano e Fotografia

Florença, Itália

4 semanas

€ 2.560

 

Mandarim e Pintura Chinesa

Pequim, China

4 semanas

US$ 3.162

 

Inglês na Índia

Nova Délhi, Índia

4 semanas

US$ 1.486

 

CI - Central de Intercâmbio

Tel.: 11 3677-3600

http://www.ci.com.br/

 

***

 

Inglês e Fashion Design

Londres, Central Saint Martins College of Art & Design

4 semanas

A partir de £ 1.580

 

Workshop em Cinema

Universal Studios

Hollywood, Los Angeles, EUA

4 semanas

A partir de US$ 3.650

 

ICCE

Tel.: 21 2523-4942

http://www.icce.com.br/

 

***

 

Design, Comunicação Visual e Moda

Barcelona ou Florença

3 semanas

€ 2.900 ou € 3.100

 

Gastronomia no ‘Le Cordon Bleu’

Paris, França

12 semanas

A partir de R$ 6.000

 

SIP - Student International Programs

Tel.: 11 3168-6658

http://www.siptravel.com.br/

 

***

 

Inglês Focado em Business

Londres, Inglaterra

12 semanas

A partir de £ 1.290

 

Filmagem e Produção Digital

Nova York, EUA - New York Film Academy

4 semanas

A partir de US$ 3,250

 

Intercultural Cursos no Exterior

Tel.: 48 3229-7900

http://www.intercultural.com.br/

 

***

 

Espanhol e Culinária

Málaga, Espanha

2 semanas – € 839

 

Intercâmbio Global

Tel.: 11 3149-8199

http://www.intercambioglobal.com.br/

 

***

 

História da Arte, Culinária, Vinhos, Espanhol com Flamenco

Espanha

A partir de  € 874

 

Cinema, Fotografia, Filmmaking, Produção para TV e Moda

Estados Unidos

4 semanas - a partir de US$ 3.500

 

Moda, Design de Interiores, Design de Produto

França

A partir de € 3.500

 

Cinema, Artes e Culinária

Inglaterra

4 semanas - a partir de £ 1.071

 

Business

Nova Zelândia

4 semanas - a partir de NZD 1.320

 

Cursos de Hotelaria na 'Les Roches'

Suíça

4 semanas - a partir de CHF 2.059

 

STB

http://www.stb.com.br

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