Busca por cursos não diminui com retração econômica

O mercado de educação é crescente. ?As instituições de ensino estão prosperando. A tendência é se fortalecer?, diz Marcos Augusto Vasconcellos, vice-diretor acadêmico da Eaesp-FGV. E há uma forte pressão na Organização Mundial do Comércio (OMC) para abrir o mercado de serviços no Brasil. ?Se abrir a fronteira, muitas instituições de ensino virão para cá.?Ele salienta que o setor educacional sempre está em expansão mesmo em momentos conjunturais difíceis do ponto de vista econômico. ?Percebemos situações que a economia se retrai e a busca por cursos aumenta. As pessoas vêm mais educação como investimento do que como despesa.?Crescimento e críticaAs escolas de negócios surgiram a partir do final do século XIX, mas foi somente após a década de 1950, fase pós Guerra, na ansiedade do Plano Marshall ? que previa a reconstrução dos Países destruídos pela guerra ?, que as business schools ganharam destaque e abriram seu crescimento em toda a Europa.Em artigo assinado para o Le Monde Diplomatique e publicado pela revista RAE Executivo, da FGV, o professor Irahim Warde, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, lembra que, a cada ano, 90 mil diplomas master in business administration (mestre em administração de empresas), lá com título de mestrado, são conferidos a cada ano. Numa visão crítica, o professor faz um alerta.Sem compreender?Sob o pretexto de responder à demanda do mercado, inúmeras instituições estão engajadas em uma estratégia de crescimento em todas direções, criando novos programas, alianças e contatos no exterior?, conta. ?Mas a internacionalização a todo o vapor faz-se em sentido único. É verdade que professores norte-americanos lecionam em campi estrangeiros, porém, raramente, tentam compreender os negócios locais?, critica.Ele lembra que o reitor na Yale School of Management, Jeffrey E. Garten, pergunta-se se a multiplicação desses programas não ?seria motivada antes de tudo pela vontade de gerar receitas, de imitar o que fazem as escolas concorrentes, ou de poder se gabar na mídia pelo número de programas criados no estrangeiro, ao invés de motivada por considerações estratégicas, refletidas sobre a missão pedagógica das escolas.?Sabe-se que doadores generosos nos EUA, com a cifra de US$ 20 milhões, obtêm a façanha de que a instituição recebedora passe a levar o seu nome. Lá há hoje uma discussão sobre o enriquecimento muito rápido dessas instituições e um caloroso debate sobre a formação de executivos e os fundamentos da ética, uma vez que os escândalos de fraudes contábeis da Enron e WorlCom entraram para história desabonando a gestão americana.  leia também  Educação é mercado dinâmico e competitivo     Experiência não basta; é preciso saber ensinar  

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