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Normalmente o aluno não conta que está passando pelo problema. Reuters

Bullying: saiba como identificar e combater agressões na escola

Especialistas explicam como perceber se a criança está sofrendo bullying ou o praticando

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2019 | 16h14

O bullying, segundo a Lei nº 13.185, de 2015, consiste em intimidar, constranger, ofender, castigar, submeter, ridicularizar ou expor alguém, entre pares, a sofrimento físico ou moral, de forma reiterada. 

Em 2018, a Lei 13.663, incluiu entre as atribuições das escolas a promoção da cultura da paz e medidas de conscientização, prevenção e combate a diversos tipos de violência, como o bullying, e ainda estabelecer ações destinadas a “promover a cultura de paz nas escolas”.  

Apesar destas duas medidas, não há nenhuma passagem no Código Penal Brasileiro que caracterize a prática como crime propriamente dito. 

Especialistas ouvidos pelo Estado recomendam que, por isso, além das ações planejadas pelas escolas, que também haja um acompanhamento cuidadoso dos pais sobre as mudanças de comportamento das crianças, por menores que elas possam ser. 

Desta maneira, é possível perceber se a criança está sofrendo bullying ou o praticando. Saiba como identificar e combater agressões na escola

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Como saber se o seu filho está sofrendo bullying

Quase 70% dos estudantes brasileiros declaram ter presenciado alguma situação de violência dentro da escola

Clara Rellstab, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2019 | 16h07

Um em cada dez estudantes brasileiros é vítima de bullying, segundo dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa). Estudo realizado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO), em parceria com o Ministério da Educação, revelou que 69,7% dos estudantes brasileiros declaram ter presenciado alguma situação de violência dentro da escola.

O professor de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP) José Leon Crochick define o bullying como uma hostilidade duradoura contra um mesmo alvo, que não consegue se defender o suficiente para evitar a agressão. Ele e outros especialistas ouvidos pelo Estado explicam como identificar se uma crianças está sofrendo bullying.

Sinais apresentados por uma criança que sofre bullying

  • Tristeza
  • Isolamento
  • Mudanças repentinas de humor
  • Raiva excessiva
  • Falta de iniciativa para deixar a casa

De acordo com Márcia Régis, pedagoga do Colégio Presbiteriano Mackenzie, o tema é complexo e exige que haja total atenção dos pais sobre as nuances no comportamento dos filhos. Ela diz que o primeiro sinal que uma criança que está sofrendo bullying apresenta é o aspecto de tristeza e isolamento.

A pedagoga ressalta que é justamente naqueles ciclos nos quais as crianças convivem diretamente, entre amigos, por exemplo, que surge o bullying. “Há uma relação de afeto e de admiração, e quando a criança recebe uma palavra ou uma expressão que a deprima ou a coloque em uma situação inferior, ela sente muito”, explica.

O professor do Departamento de Psicologia da Aprendizagem, do Desenvolvimento e da Personalidade da USP José Leon Crochick acrescenta que também pode haver mudanças repentinas de humor, ataques de raiva e dificuldade em concentração em leituras, conversas ou qualquer outra atividade rotineira. 

“As pessoas reagem de formas distintas, conforme sua estrutura psíquica; de todo modo, os sinais de quem sofre (a agressão) são mais visíveis, pois se referem a comportamentos que são repentinamente alterados”, completa.

Segundo ele, também é possível que a criança não queira sair de casa ou voltar ao lugar onde sofreu a agressão. 

Professora de Psicologia da USP, Maria Isabel da Silva Leme ressalta que, quando este tipo de situação ocorre em ambiente escolar, é comum que as crianças “inventem motivos” para não ir ao colégio, mostrem-se ansiosas em qualquer situação que envolva a escola e tenham seu desempenho escolar influenciado negativamente. 

Como proceder se o seu filho é vítima de bullying

Crochick aponta que uma conversa franca entre pais e filhos é o que melhor pode haver. “Mas que seja um diálogo acolhedor, que procure entender o que se passa com o filho no que diz respeito ao bullying”, ressalta.

Para que a conversa não seja intimidadora, Crochick sugere que se comece conversando sobre o bullying de uma forma geral, perguntando à criança ou adolescente o que ele acha da prática, para em seguida perguntar se já praticou ou foi alvo e o que fazer para evitar essa situação.

O professor afirma que os pais devem enfatizar que não há nada errado com ele, mas, sim, com o autor da agressão, que o escolheu por acaso e poderia escolher qualquer outro que julgasse que não pudesse enfrentá-lo e procurar o professor, o coordenador ou o diretor para que eles tomem ciência da situação.

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Como saber se o seu filho está praticando bullying

Especialistas afirmam que perceber que uma criança é agressora é ainda mais difícil do que notar que ela está sofrendo bullying

Clara Rellstab, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2019 | 16h06

Em vigor desde 2015, a Lei nº 13.185 classifica o bullying como intimidação sistemática, quando há violência física ou psicológica em atos de humilhação ou discriminação. A classificação também inclui ataques físicos, insultos, ameaças, comentários e apelidos pejorativos. 

Na lei também foi instituído do Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência nas Escolas, em 7 de abril, para que sejam aplicadas ações de conscientização nos colégios. A data faz referência à tragédia ocorrida em 2011, quando um jovem de 24 anos invadiu a Escola Municipal Tasso da Silveira, no bairro de Realengo, no Rio de Janeiro, e matou 11 crianças.

Entre os objetivos da medida, estão a capacitação de docentes e equipes pedagógicas para a implementação das ações de discussão, prevenção, orientação e solução do problema; implementar e disseminar campanhas de educação, conscientização e informação; instituir práticas de conduta e orientação de pais, familiares e responsáveis diante da identificação de vítimas e agressores; dar assistência psicológica, social e jurídica.

A preocupação acerca do bullying pode ser explicada em números. Uma pesquisa realizada pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO), em parceria com o Ministério da Educação, revelou que 69,7% dos estudantes brasileiros declaram já ter presenciado situações de bullying dentro da escola. Além disso, um em cada dez estudantes brasileiros é vítima de bullying, segundo dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa). 

Identificar se uma criança pratica bullying é ainda mais difícil do que saber se ela está sofrendo a agressão, afirma a pedagoga Márcia Régis, do Colégio Presbiteriano Mackenzie. “É sutil, mas ela dá sinais. A criança acaba tendo algum tipo de agressividade nas palavras, de intimidação. Você observa que ela já tratou mal um colega, um familiar, um animal”, diz. 

De acordo com ela, é comum às crianças que praticam bullying a prática de colocar o outro para baixo para se autoafirmar. “É complicado de identificar, porque elas criam um comportamento dissimulado. São bonzinhos na frente dos pais”, explica. 

Sinais que uma criança que sofre bullying apresenta

  • Agressividade
  • Intimidação
  • Arrogância
  • Não admitem críticas
  • Colocam o outro para baixo para se autoafirmar
  • Necessidade de chamar a atenção

O professor do Departamento de Psicologia da Aprendizagem, do Desenvolvimento e da Personalidade da Universidade de São Paulo (USP) José Leon Crochick afirma que a criança que pratica bullying tem a necessidade de querer se exibir e se destacar, com uso da agressão como uma maneira de mostrar a sua superioridade sobre o seu alvo. 

"Tendem a ser mais arrogantes, orgulhosos e não admitirem críticas. A vítima é quem julgam que possam humilhar à vontade, sem que haja reação suficiente. Não só têm insensibilidade com o sofrimento do outro, como têm prazer de fazê-lo sofrer”, afirma.

Como proceder se o seu filho pratica o bullying

Em relação ao autor da agressão, Crochick afirmou que é preciso que seja lembrado que o bullying não deve ser considerado uma brincadeira. “Enfatizar que a agressão e a violência são atitudes infantis e que há outras formas de se tornar visível, diferenciado, respeitado aos olhos dos colegas e dos professores, assim como todos o são, que não por meio da violência”, aponta.

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