Brechó reduz custo de material

Economia nas compras passa por disciplina, negociação com os filhos e apoio das escolas

Mariana Mandelli - Especial para o JT, e Maria Rehder,

29 de janeiro de 2009 | 21h15

Início de ano é sinônimo de despesa com material escolar. Além de bater perna para encontrar preços mais em conta, os pais têm de negociar com os filhos - nem sempre é possível levar a mochila da moda.   Algumas famílias têm um aliado em colégios que criaram kits escolares ou feirões de livros.   Outras montam estratégias próprias para comprar o material (veja nos destaques as listas de algumas das principais escolas de São Paulo).   Veja também:  Especial: Reforma Ortográfica  Empresas lucram com personagens infantis em material escolar  Seguros para educação protegem colégios da inadimplência  A educação na era do notebook As particulares, de olho no português  Enquete: Você concorda com o investimento do MEC em notebooks educacionais?  Enquete: Você acha que as novas regras simplificam a ortografia?  Enquete: Quais mudanças ortográficas você considerou mais difíceis de entender?   A advogada Vera Regina Fenger, de 42 anos, garimpa livros didáticos para Maria Eduarda, de 11, e Pedro Henrique, de 13, no brechó do Colégio Santa Maria. "Consegui três livros no fim do ano. Até uniforme em bom estado eles colocam no brechó."   Vera gastou R$ 825,53. Além do brechó, recorreu ao kit escolar do Santa Maria, que faz compras em grande escala de material, repassado com desconto de 15%. "Muitos itens vinham de caixa, como palitos de sorvete para aula de artes. Sobrava muita coisa."   A Escola da Vila criou no seu site um feirão virtual de livros, para os pais trocarem obras usadas. Também incentiva a reciclagem: convocou alunos a levarem cadernos com folhas sobrando no fim do ano e participarem de oficinas. "Com as sobras, eles fizeram mais de cem cadernos, doados a filhos de funcionários", diz Clice Haddad, coordenadora do projeto.   Sem a opção dos kits e feirões, o administrador de empresas Paulo Cesar de Aguiar, de 55, pesquisa preços, como recomenda a Fundação Procon - que, num levantamento com 254 itens, apurou diferenças de até 233% em papelarias da capital este mês. Ele abre a temporada de cotações em dezembro, pela internet. Mesmo assim, gastou R$ 839 só com livros para o filho, João Paulo, de 15, que entrou no ensino médio no Colégio Rio Branco. "Agora ele tem novas disciplinas e livros mais complexos."   A professora Elisabete Rosa, de 49, só vai à papelaria com a calculadora na mão. Estima ter economizado R$ 300 dos R$ 1.110,50 que previa gastar com a filha Juliana, de 14, aluna do Colégio Bandeirantes. Elisabete também fica sempre atenta à possibilidade de repassar a Juliana livros do irmão. "Checo as novas capas para ver se são as mesmas edições que tenho em casa."   Iniciativas como brechós e feirões ou a disciplina dos pais ajudam a economizar, mas nem sempre atendem aos estudantes, que têm seus objetos de desejo. A assessora pedagógica Marisa Ester Rosseto, de 45, diz que o filho Ivan, de 14, aluno do Colégio Arquidiocesano, sempre a acompanha nas compras. "Uma vez, ele quis um fichário.   Fizemos um pacto: se você perder as folhas, volta a usar cadernos. Ele soube se organizar." Isso não aconteceu quando Juliana, filha de Elisabete, insistiu num fichário estampado que estava na moda. "Ela sempre tinha usado caderno. Foi um desastre."

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