Brasileiros fazem medicina em Cuba, sem vestibular

Aos 22 anos, o estudante de medicina Kléber da Costa Firmino conseguiu realizar um sonho muito distante da maioria dos alunos que prestam o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem): ganhou uma bolsa de estudos no exterior. Firmino é um dos quatro alunos beneficiados pelo trabalho da ONG Educafro.Nesta semana o estudante deixa a casa dos pais em Poá, extremo leste da capital paulista, para voltar para Cuba, onde irá continuar seu curso de medicina. Já está no segundo ano. "Fico feliz pela oportunidade dele, e triste por não poder vê-lo sempre. O telefone é caro, só nos falamos de 15 em 15 dias", diz a mãe de Firmino, Márcia Antônia.Estudos e trabalho voluntárioA oportunidade do estudante surgiu de uma reportagem de jornal, onde ele conheceu o trabalho da ONG Educafro, que atua em diversos Estados brasileiros recrutando jovens de famílias carentes para participar de núcleos de estudo e trabalhos voluntários.Atualmente, ele reside na própia universidade, em Havana, e convive com jovens de 24 países diferentes. "Estou aprendendo mais do Brasil do que quando morava no Brasil", diz o estudante, que ainda teve de aprender a falar espanhol e inglês para se comunicar com os colegas estrangeiros."Exilado""A universidade é ótima. O governo cuida para que todos tenham acesso à educação, dá todo o material didático e ainda paga um salário de 100 pesos (moeda local) por mês para que o estudante não seja obrigado a trabalhar para se manter durante o curso" diz Firmino, que ficou no quinto lugar entre os melhores alunos da turma, mas gostaria de voltar."Sinto-me como um exilado educacional do meu País. Os vestibulares do Brasil me reprovaram, mas em Cuba entrei em medicina e já passei para o segundo ano, prova de que vestibular não serve para nada", diz.

Agencia Estado,

31 de agosto de 2003 | 01h06

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