Brasileiros de escolas públicas são selecionados para intercâmbio nos EUA

Embaixada americana anunciou os 35 selecionados para o programa Jovens Embaixadores

Larissa Linder, Estadão.edu

26 Outubro 2010 | 16h53

A moradora de Boa Vista (RR) Eva Marco Lima, de 17 anos, estava na escola na manhã desta quarta-feira quando recebeu uma ligação inusitada. Quem falava era o embaixador americano, Thomas Shannon, para dizer que ela havia sido selecionada entre seis mil alunos da rede pública para um intercâmbio cultural nos Estados Unidos. Eva agradeceu e chorou. “Não precisa falar nada, pode chorar”, disse Shannon. “Eu não esperava, havia muitos finalistas bons. E receber uma ligação do embaixador foi uma surpresa maior ainda”, contou a estudante ao Estadão.edu.

 

Eva foi sorteada para receber o aviso ao vivo do embaixador. Além dela, outros  35 estudantes foram selecionados para participar da 9ª edição do programa Jovens Embaixadores. Eles foram escolhidos entre mais de 6 mil candidatos de escolas públicas de todos os Estados do País para passar três semanas nos EUA.

 

“O objetivo dos Jovens Embaixadores é estreitar os laços entre os dois países e também dar destaque para o ensino público no Brasil”, disse Shannon ao Estadão.edu. “Além disso, é uma oportunidade de levar um pouco da cultura brasileira para os Estados Unidos, para que os jovens de lá tenham contato com isso e para que os brasileiros voltem orgulhosos de serem brasileiros e com mais a contribuir para o País."

 

Voltado para adolescentes entre 15 e 18 anos, o Jovens Embaixadores seleciona estudantes com perfil de liderança, que saibam falar inglês, com excelência acadêmica e que tenham tido iniciativas voluntárias voltadas para a comunidade em que vivem.

 

Simon do Vale Nascimento, de 23 anos, foi jovem embaixador em 2005. “Se eu falar dos benefícios do programa na minha vida, ficaria contando por dias e dias. É imensurável”, diz. Nascido em Catalão (GO), após o programa ele obteve bolsa para estudar Relações Internacionais na Universidade de Chicago. Formou-se em junho e foi convidado a trabalhar no setor de admissões de alunos estrangeiros da instituição. “Acho que o principal benefício do programa foi me mostrar do que sou capaz. Mesmo tendo vindo de uma cidade pequena, de escola pública brasileira, pude perceber que consigo chegar longe.”

 

Parceria. O programa é resultado de uma parceria entre a embaixada e as secretarias de Educação, que o divulgam em todas as escolas da rede pública. Os inscritos passam por triagem de currículos e provas.

 

Um dos impactos importantes, segundo a representante do Conselho Nacional de Secretarias de Educação (Consed) e secretária de educação de Goiás, Milca Severino, é o estímulo às melhorias na rede pública de ensino. “Isso faz com que as escolas busquem projetos para melhorar o ensino, e há muitos alunos que começaram a se preocupar em estudar inglês após conhecerem o programa.”

 

Os Jovens Embaixadores passam uma semana em Washington, participando de reuniões com autoridades, visitando monumentos históricos, museus e outras organizações. “Estou muito curiosa para ver a parte cultural de lá, porque aqui não há muitas opções de teatros e museus”, conta Eva, de Roraima.

 

Nas duas semanas seguintes, eles convivem com famílias americanas e freqüentam aulas em uma escola de ensino médio. Gabrielle Coelho, de 18 anos, viajou em janeiro pelo intercâmbio. Ela tentou o programa duas vezes antes de ser finalmente selecionada. “Conhecemos Michelle Obama, ela foi simpática e é linda. Além disso, fiz muitos amigos lá e pelo Brasil”, conta. Com olhos úmidos de lágrimas, ela aguardou emocionada o anúncio da turma de 2011. “É como se fosse comigo novamente. Foi importante demais para mim."

 

Nesta edição, os 120 finalistas foram convidados a fazer um vídeo. Os que não ficaram entre os 35 escolhidos, ainda podem ter uma chance de entrar no grupo. A embaixada irá escolher cinco vídeos, que ficarão disponíveis para o público votar pela internet partir do dia 29 no site da embaixada norte-americana.

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