Brasileiros buscam MBA com aulas no exterior

Com experiência internacional, profissional pode conseguir mais facilmente uma promoção ou contratação desejada

Ocimara Balmant, Especial para o Estado

30 Janeiro 2018 | 03h00

SÃO PAULO - Em um mundo cada vez mais global, em que as experiências internacionais têm peso de ouro, turbinar o currículo com uma pós-graduação realizada no exterior pode definir uma contratação, uma promoção ou a faixa salarial negociada. Não à toa, dizem os especialistas, cresce ano a ano o número de brasileiros dispostos a estudar fora do País. 

“Na minha carreira em consultoria estratégica, o MBA no exterior é um passo natural, esperado e incentivado pelas empresas”, afirma o engenheiro Pedro Silvestrini, de 29 anos, que cursa o MBA na Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, instituição que conta com celebridades como Elon Musk na lista de ex-alunos. “Aqui tenho acesso a treinamentos específicos e programas intensivos de imersão em equipe, como no Departamento dos Bombeiros de Nova York e em uma base militar no interior dos Estados Unidos.”

O objetivo de Silvestrini é, uma vez terminado o curso, em 2019, voltar ao Brasil. Provavelmente com o salário bem mais alto, como mostram as estatísticas. Segundo um estudo do jornal britânico Financial Times, após três anos de formação, os egressos das 30 melhores universidades do mundo obtiveram 100% de aumento salarial. 

De acordo com o ranking de MBAs da editora britânica Quacquarelli Symonds (QS), uma das classificações internacionais mais influentes do mundo, os 100 melhores cursos estão espalhados pelos Estados Unidos, pela Europa, pela Ásia e pela Oceania. Neles, o aluno tem contato com professores e pesquisadores que são autores de teorias e conceitos empregados no mercado. Alguns MBAs contam até com vencedores de Prêmio Nobel no quadro docente.

Para quem pretende seguir carreira internacional, uma pós ou um MBA no exterior é um diferencial importante. Porém, vale escolher estrategicamente o destino. “Na Europa e nos Estados Unidos, o mercado já está saturado e pode ser interessante considerar locais com uma maior demanda de profissionais, como a Austrália ou o Canadá”, diz Guy Cliquet, coordenador de pós-graduação lato sensu do Insper.

De fato, para incentivar a permanência de profissionais, o Canadá oferece o Post-Graduation Work Permit, visto de trabalho de até três anos para quem concluir determinados cursos de graduação, pós ou MBA em instituições públicas ou privadas credenciadas.

Como pré-requisitos, a maioria dos programas de MBA no exterior exige dois anos de experiência de trabalho e um bom histórico acadêmico. O candidato também precisa ser bem avaliado em exames de admissão como GMAT e GRE (que envolvem raciocínio lógico) e em testes de proficiência em inglês. Uma das etapas mais temidas é da redação - ou essay, em inglês. O indicado é que o aluno seja autêntico: exponha seus valores, explique suas escolhas proissionais e ambições e, principalmente, diga como o MBA se encaixa na sua carreira. 

Durante o processo seletivo, um atributo bem valorizado é ter experiências extracurriculares. Atividades executadas em outras áreas e vivências que evidenciem independência, dedicação e capacidade de liderança fazem os avaliadores prestarem atenção especial ao currículo do candidato. Por último, vêm cartas de recomendação que exponham a evolução da carreira do candidato, seu comportamento, resultados e potencial de liderança. 

Os custos de uma pós ou um MBA no exterior exigem um bom planejamento financeiro, pois os valores podem chegar a US$ 200 mil em instituições de ponta. Existem opções de bolsas de estudo da própria escola ou de instituições brasileiras como a Fundação Lemann e o Instituto Ling. Outra possibilidade são os financiamentos estudantis oferecidos por bancos estrangeiros ou programas de crédito pré-aprovado das universidades de fora. 

Lá e cá. Para quem não tem a possibilidade de se ausentar por algum tempo do mercado de trabalho – dois anos, em média – ou não tem condições de arcar com os custos de um MBA no exterior, há cursos no Brasil com módulos em instituições estrangeiras de ponta.

A Fundação Getulio Vargas (FGV) oferece pelo menos 22 módulos internacionais em universidades nos Estados Unidos, na Europa e em países asiáticos como China e Japão. “Podem durar até 15 dias e proporcionam uma vivência que não se tem em uma aula no Brasil. O aluno entende na prática as diferenças culturais e características dos países, o que auxilia, por exemplo, a preparar contratos internacionais”, afirma Gerson Lachtermacher, diretor do Instituto de Desenvolvimento Educacional da instituição. “Vamos abrir em breve um módulo na faculdade americana Babson, em que o aluno entenderá como criar uma startup dentro do ambiente da melhor escola de empreendedorismo dos Estados Unidos.” 

Gringos no Brasil. As instituições de ensino brasileiras também registram uma procura crescente de estrangeiros, principalmente interessados em empreender aqui. “Os estrangeiros que vêm para cá enxergam o Brasil como uma terra de oportunidades.

Consideram potencialidades que o aluno brasileiro não enxerga, com novos serviços, produtos e formas de fazer negócio”, afirma o professor James Wright, coordenador do núcleo Profuturo da Fundação Instituto de Administração (FIA). A instituição recebe alunos de vários países da Europa, da Ásia e das Américas do Norte e do Sul.

Um deles é o americano Adam Dugan Strott, aluno de Marketing Digital. Especialista em Marketing, ele concluiu o MBA em International Business em 2016. Strott escolheu o Brasil por ser o maior mercado na América Latina e por acreditar que as Américas do Norte e do Sul devem ter melhores relações empresariais e diplomáticas. “Além disso, estudar no Brasil, um país dinâmico e multicultural, me ofereceu uma experiência internacional em apenas um país.”

Gostou tanto que decidiu ficar. “Fiz parcerias com brasileiros e estrangeiros para criar uma consultoria de Marketing Digital para projetos e iniciativas sociais e culturais.”

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