Brasileiros acreditam que escola não prepara para o mercado de trabalho

Em pesquisa da CNI, entrevistados também apontam discrepância na qualidade do ensino público e privado

Anna Rangel, Especial para o Estadão.edu

20 Agosto 2010 | 21h42

A pesquisa "Retratos da sociedade brasileira: educação", encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) ao Ibope, constatou que a maioria dos brasileiros não acredita que a escola ofereça preparo para o mercado de trabalho. De acordo com o levantamento, 40% dos entrevistados acreditam que o aluno está "razoavelmente preparado" após o ensino médio ou superior para a etapa subsequente e a maioria dos brasileiros vê a educação como peça fundamental para o desenvolvimento do País.

 

Apenas 14% dos entrevistados com ensino médio completo acreditam que os estudantes saem da escola "bem preparados" para conseguir um emprego estável. O índice chega a 30% na avaliação do nível superior. A qualidade da educação no Brasil também foi apontada por 61% como um dos gargalos que impedem o desenvolvimento.

 

A discrepância na qualidade do ensino público e privado também foi abordada. Em uma escala de 0 a 100, as escolas fundamentais públicas receberam nota 58,6, enquanto suas pares particulares tiveram nota 76,4. Os serviços oferecidos pelas escolas também foram avaliados: o maior problema, na opinião dos entrevistados, é a falta de segurança, enquanto as condições de limpeza e manuntenção receberam a nota mais alta. Numa escala de 0 a 10, recebeu 7,1.

 

O economista Rafael Lucchesi, responsável pela pesquisa, acredita que o sistema educacional brasileiro tem muito o que percorrer até melhorar a qualidade do ensino. "Há altíssima correlação entre os níveis de educação e a renda", explica. "E uma das razões atribuídas pelos entrevistados (41%) em relação à qualidade do ensino é a baixa participação dos pais na vida escolar."

 

Lucchesi acredita que uma boa base nas matérias básicas, como português e matemática, além da incentivo à opção do ensino médio técnico são cruciais para a melhora da educação brasileira. "No cerne dessa discussão está o baixo desempenho do Brasil nos comparativos internacionais. Na Finlândia, por exemplo, as matérias básicas são altamente valorizadas e existe um destaque ao ensino profissionalizante. É uma lacuna no sistema brasileiro, já que quase 90% dos entrevistados acreditam que o oferecimento de ensino técnico é importante".

 

A pesquisa foi realizada entre 18 e 21 de junho com 2.002 entrevistados em 140 cidades, e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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