Brasileiro se adapta ao Brasil

Economista trocou a falida Fannie Mae americana pelo setor sucroalcooleiro

Elida Oliveira, Especial para O Estado de S. Paulo

26 Agosto 2009 | 19h56

Um bom colégio de base no Brasil, graduação em Economia na tradicional Universidade da Pensilvânia, e a carreira na Fannie Mae, gigante das hipotecas americana que quebrou na crise do mercado imobiliário, não tornaram o trabalho de Álvaro Spinola Pinto, de 28 anos, mais fácil quando ele voltou ao Brasil. Mesmo com 4 anos e meio de experiência no mercado dos Estados Unidos, ele teve de reaprender a trabalhar com índices brasileiros e estudar o comércio exterior do País. Sentiu-se um estrangeiro na terra onde nasceu. "Estou fazendo uma adaptação contrária. Sou praticamente um funcionário americano, fluente em português, tentando entender o mercado brasileiro", brinca Spinola, que agora trabalha no setor sucroalcooleiro. A carreira de Spinola foi construída com bases internacionais. A começar pela educação. Concluiu o ensino fundamental e médio na Escola Americana de Campinas (EAC), o que lhe permitiu competir por uma vaga na Universidade da Pensilvânia. Em 2000 foi aprovado para o curso de Economia, concluiu a graduação em quatro anos e depois entrou na Fannie Mae.  Logo no início da vida profissional, Spinola enfrentou o início da crise de créditos imobiliários americanos. Viu a empresa em que trabalhava ruir. Por seu papel estratégico, de garantidora de hipotecas, a Fannie Mae, sempre funcionou com aval oficial. Mas, com a crise do ano passado, o governo Bush foi obrigado a intervir diretamente na empresa e assumir suas dívidas. "Ninguém tinha mais certeza do que falava ou sabia como resolver os problemas. Foi uma sensação de perda, de falta de segurança, de direção." Hoje, Spinola é o responsável pelo planejamento estratégico e financeiro da Companhia Nacional de Açúcar e Álcool (CNAA), que atua na produção de energia limpa e renovável. Ironicamente, está usando sua experiência americana para ele atuar no Brasil em um setor que compete com os Estados Unidos. Continua sendo um profissional global. Suas análises ditam onde a empresa vai investir e atuar nos próximos anos. "Os outros países não falam da economia mundial sem falar do Brasil. O futuro é muito promissor. Tem muita pessoa qualificada entrando no mercado brasileiro. Além disso, está havendo muito interesse de investimento estrangeiro no Brasil e tudo contribui para uma boa perspectiva futura." Leia também:  Profissionais globais made in Brazil Para economista do BID, vizinhos latinos têm mais garra do que brasileiros

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.