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Brasileiro com olhos em Marte

Responsável pela comunicação de jipe-robô no planeta, Ramon Perez de Paula está envolvido em descoberta recente da Nasa que promete ‘fazer história’

Juliana Sayuri,

27 Novembro 2012 | 01h04

Responsável pela comunicação com o jipe (rover) Curiosity, que explora a superfície de Marte, e com os satélites robóticos MRO e Odyssey, o engenheiro brasileiro Ramon Perez de Paula, de 59 anos, é atualmente um dos principais executivos da Nasa, agência espacial americana.

De Paula vive nos EUA desde 1969, época em que o pai, militar da aeronáutica, foi transferido para Washington. Quando a família Perez de Paula decidiu retornar ao Brasil, o jovem Ramon quis ficar para concluir os estudos. E ficou. Interessado em ciência e tecnologia, fez mestrado em Engenharia Nuclear na Universidade da Califórnia, em Berkeley (1979), e doutorado em Optoeletrônica na Universidade Católica da América, em Washington (1982).

Em 1985, entrou no Jet Propulsion Laboratory California Institute of Technology (JPL) da Nasa, um laboratório de foguetes e outras invencionices feitas por cientistas e engenheiros, principalmente jovens, bem ao estilo dos heróis nerds de The Big Bang Theory. “Somos uma comunidade internacional, que privilegia a multiculturalidade. Há profissionais de diversos backgrounds e formações”, conta Ramon.

Em 1989, ele trocou o endereço em Pasadena por Washington, quando assumiu o primeiro papel no “quartel-general” da agência americana. Desde então, liderou quatro missões espaciais tão emocionantes quanto a saga estelar dos filmes de George Lucas: Mars Odyssey (lançado em 2001), Mars Reconnaissance Orbiter (2006), Mars Phoenix (2008) e Mars Science Laboratory - Curiosity (2012).

Nessa última empreitada, o jipe-robô Curiosity pretende vasculhar o território de Marte, a fim de determinar as condições de habitabilidade do Planeta Vermelho. “Estamos procurando ‘moléculas orgânicas’. Na Terra, nós morremos e deixamos moléculas com grande quantidade de matéria orgânica de origem biológica. Então, o maior trunfo da missão Curiosity seria descobrir essas moléculas, o que poderia dar indicação da existência de uma vida passada e, quem sabe, até presente. Não temos equipamento para procurar vida propriamente dita, só se um marciano chegar em frente ao rover e der um ‘tchauzinho’”, brinca Ramon.

Na semana passada, a Nasa anunciou uma “descoberta reveladora” em Marte. Ainda ficaremos na curiosidade, pois a agência não quis entrar em detalhes, à espera da confirmação das informações pelos pesquisadores da casa. Por enquanto, deram só um aperitivo: a descoberta entrará para os livros de história.

“O QG responde por diversas decisões. Minha função é resolver problemas. O pessoal me telefona preocupado e, you know, sempre procuro dar um jeito para resolver as questões. Aí a cultura brasileira, a ideia de dar um jeitinho, ajuda bastante para beneficiar a todos e ao projeto. Sempre cumprindo as regras, claro”, diz, em português, com sotaque americano misturado a um quê do interior paulista. Ramon Perez de Paula nasceu em Guaratinguetá, cresceu em Pirassununga e ainda visita o Brasil periodicamente, para rever a família, agora radicada em São José dos Campos.

De sua casa em Washington, o cientista concedeu a entrevista acima ao Estadão.edu sobre o trabalho e o perfil dos profissionais na agência espacial.

ENTREVISTA

Qual é o perfil dos profissionais da Nasa?

Temos cientistas, engenheiros, gerentes de diversas formações, tanto de Ciências Exatas quanto de Ciências Humanas.

Quais são as principais universidades nessa área?

Nos EUA, Stanford, Maryland e MIT. No Brasil, o ITA e o Inpe se destacam.

Há missões previstas para os próximos anos?

Sim. A missão Insight, programada para 2016, pretende monitorar a atmosfera e o solo na região equatorial de Marte.

A Nasa pretende realizar novas missões tripuladas?

Sim, o presidente Barack Obama nos deu esse desafio. Pretendemos realizar uma missão tripulada para Marte em 2030.

Que mensagem deixa aos jovens aspirantes a astronautas?

A educação é a base para esse processo. Os que estão crescendo hoje podem se tornar os tripulantes das missões do futuro. Os jovens precisam se inspirar para estudar ciência e tecnologia. É isso que alavanca o desenvolvimento de uma sociedade e de um país.

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