Epitácio Pessoa/Estadão-21/11/2012
Epitácio Pessoa/Estadão-21/11/2012

Brasileiras transformam a realidade em que vivem por meio da educação

Conheça a aluna do ITA que dirige cursinho pré-vestibular e a índia professora da aldeia

Agência Brasil,

08 Março 2013 | 15h30

Esforço e superação são os conceitos que marcam a trajetória de muitos brasileiros, mas para duas mulheres essas palavras ganham um significado especial e mostram que é possível vencer as dificuldades. A quilômetros de distância, uma estudante e uma indígena, cada uma com uma história diferente, buscam o mesmo objetivo: fazer a diferença.

 

Cursando o 3.º ano de Engenharia no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Camilla Matias tem uma rotina diferente da maioria dos jovens de 22 anos. Divide o tempo entre estudo e projetos sociais, entre eles, o Curso Alberto Santos Dumont (Casd), um pré-vestibular gratuito destinado a estudantes de baixa renda, criado na década de 1970. O curso tem 520 alunos, que recebem os livros também de graça, devido a parcerias com outras instituições, entre elas a Embraer e a Petrobrás, além do apoio da prefeitura de São José dos Campos.

 

Camilla preside o Casd, que tem índice de aprovação de 35% em universidades públicas. “Durmo e acordo pensando no Casd. Tenho que mostrar os resultados não só para os parceiros, mas, principalmente, para os alunos e a família. Quando entro em sala, eu falo que o sonho não é só deles, é nosso. Por isso, sei da minha responsabilidade e é uma realização muito grande ver um aluno nosso passar no vestibular.”

 

Camilla é cearense, foi bolsista durante o ensino fundamental e o médio e teve de estudar muito para manter a bolsa. No curso de inglês, foi a mesma coisa. Com aptidão para a área de Exatas, a jovem participava de olimpíadas de matemática, química e física e chegou a ir à Coreia do Sul para representar o Brasil com mais quatro estudantes no Torneio Internacional para Jovens Físicos em 2008.

 

Mesmo com o bom desempenho nos estudos, hoje Camilla tem outros sonhos fora da engenharia. A jovem quer usar o que aprendeu para ajudar outras pessoas. “Quando eu era mais nova, queria ser muito rica para ajudar as pessoas. Hoje sei que não é preciso isso. É possível ajudar com muito pouco. Faço isso porque já recebi muito apoio durante minha vida. É uma forma de retribuir.”

 

Também foi por meio da educação que a índia kaiowá Elda Aquino conseguiu mudar sua realidade. Ela nasceu na aldeia de Amambai em Mato Grosso do Sul, onde vive. Casada desde os 14 anos, ela decidiu voltar a estudar quando teve o primeiro filho. Desde então, não parou mais. Hoje, Elda é professora e é a única entre os mais de 7 mil habitantes da aldeia que tem mestrado. Para chegar até aí, a professora enfrentou algumas barreiras, como o preconceito. “Sofri muita discriminação. O meu povo falava que uma mulher devia cuidar do marido e dos filhos. Já a sociedade não indígena questionava por que o índio tinha de estudar. Mas esse preconceito me deu força para mudar a realidade.”

 

Elda optou pela área da educação para ajudar sua comunidade a resolver os problemas que os índios ainda enfrentam. E a professora argumenta que a mulher é peça fundamental para promover mudanças. “Hoje eu vejo que a mulher avançou muito, principalmente na comunidade indígena. Agora meu povo sabe que a mulher é capaz de transformar a realidade.”

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