Brasil tem 'arquipélago' de bibliotecas digitais

Projeto da Biblioteca Nacional tenta unir todas as ilhas digitais das bibliotecas brasileiras

Carlos Orsi, estadao.com.br,

02 de outubro de 2007 | 00h44

Parceiro do World Digital Library (Biblioteca Digital Mundial) da Unesco, o Brasil conta com diversos projetos de digitalização de acervos de suas bibliotecas, mas eles são levados em paralelo e com pouca comunicação entre as instituições envolvidas, avalia o coordenador do portal Domínio Público do Ministério da Educação (MEC), Marco Antonio Rodrigues. "Temos ilhas", diz ele. "Há uma convergência para a idéia de compatibilidade de acervos, mas isso ainda está em projeto".   O Domínio Público reúne mais de 54 mil obras cadastradas em formato digital, entre textos, arquivos de som, imagens e vídeo. Todo esse material está em servidores do MEC: não é possível usar o portal como plataforma para acessar o conteúdo digital mantido em outras instituições.   "Temos alguns projetos, como a digitalização da biblioteca do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) e estamos digitalizando o material da biblioteca do STJ (Superior Tribunal de Justiça)", diz Rodrigues. No que diz respeito ao acesso ao acervo digital de outras bibliotecas brasileiras, segundo ele, há dificuldades de compatibilidade e de formato dos documentos.   Mas as ilhas digitais das bibliotecas brasileiras estão se unindo, ainda que lentamente, por meio do projeto Rede da Memória Virtual Brasileira da Biblioteca Nacional (BN). Ao menos, essa é a meta da coordenadora do programa, Angela Bettencourt. A rede, até o momento, integra sete instituições do Sul e Sudeste do Brasil. Angela reconhece que ainda há muito para avançar, principalmente na busca de parceiros no Nordeste, Norte e Centro-Oeste do País.   Na comparação com os grandes acervos digitais do exterior, a coordenadora reconhece que a Biblioteca Nacional está "muito atrás", principalmente por questão de investimento e porque "elas (grandes bibliotecas, como a Biblioteca do Congresso dos EUA) começaram muito antes". "A Biblioteca Nacional criou seu laboratório de digitalização em 2004 e 2005", exemplifica. Além disso, até recentemente a digitalização não tinha verba própria - ocorria como parte de projetos temáticos, como o da Biblioteca Virtual de Cartografia. As digitalizações passarão a contar com recursos específicos, segundo Angela, a partir de 2008.   A porcentagem digitalizada do acervo da BN é "muito pequena" em comparação com o que já existe no exterior, reconhece ela: cerca de 8 mil documentos em formato digital, de um total de 9 milhões. Em parte, diz Angela, isso se deve a questões de direitos autorais - que complicam a digitalização de material mais recente, incluindo jornais e revistas.   São Paulo Em São Paulo, a Biblioteca Municipal Mário de Andrade conta com quatro mil fotos históricas do Brasil digitalizadas, e 30 mil páginas de texto - compreendendo 250 livros - sobre história, política e cultura brasileiras do século 16 ao 19.   Segundo a diretora de acervo da biblioteca, Rita de Cassia D'Angelo, não há nenhum projeto de digitalização em curso no momento, mas há planos para retomar a conversão de material para o formato digital. Entre as prioridades citadas estão palestras - arquivos de áudio e vídeo - periódicos e obras raras. A Mário de Andrade não está, até o momento, integrada à Rede da Memória Virtual Brasileira da BN.

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