Brasil será primeiro país a ter Copa do Mundo sustentável

Reportagem foi uma das duas vencedoras do Prêmio Tetra Pak de Jornalismo Ambiental

08 Agosto 2013 | 18h40

Isadora Paula Stentzler Souza*

Quem assistiu no mês passado ao primeiro jogo da Copa das Confederações, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, talvez não soubesse, mas estava pisando na construção que, até 2014, estará entre as mais sustentáveis do mundo. A arena faz parte do projeto Copa Verde, que trabalha na construção de espaços ecologicamente corretos para a Copa do Mundo. Graças a essa iniciativa, o País será o primeiro a receber o evento tendo todos os estádios sustentáveis, segundo a GBC Brasil, ONG que atua no setor.  

Ter um certificado internacional de sustentabilidade era um dos requisitos para servir de sede, como consta do documento Brasil Sustentável, Impactos Socioeconômicos da Copa do Mundo 2014, produzido pelo grupo Ernest Young em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV). E o Mané Garrincha foi buscar a principal certificação que mede o desempenho ambiental de edifícios: a Leed (Liderança em Energia e Design Ambiental, na tradução).

Para conseguir esse feito, o estádio precisa ser avaliado em quesitos como escolha de espaços sustentáveis, uso racional da água, eficiência energética, utilização de materiais em tecnologia de reuso, qualidade ambiental interna e inovação e tecnologias. De acordo com seu desempenho, pode receber o certificado prata, ouro ou platina. Especialistas já acreditam que a arena de Brasília é forte candidata ao título máximo. “É o único estádio que pode receber o selo platina”, diz o diretor técnico e educacional da GBC Brasil, Marcos Casado. “Será um dos poucos do mundo a ter essa certificação.”  

Segundo o último relatório do Tribunal de Contas do Distrito Federal, o estádio deve custar R$ 1,77 bilhão. É a mais cara das arenas. Coautor do projeto Copa Verde, Ian Mckee explica que, mesmo que os gastos sejam altos, é preciso levar em conta que o Mané Garrincha é uma obra totalmente nova e pensada para o futuro. “Segundo nossos cálculos, por exemplo, pagaremos o investimento de usina solar em nove anos, sendo que ela tem uma garantia de 25 anos. Ou seja, serão 16 anos de energia grátis”, exemplifica. 

A obra do estádio prioriza a ventilação natural com cobertura ampla que cria sombra de até 6 graus a menos. A construção também contará com a maior usina solar do Brasil: painéis num anel de concreto na cobertura do estádio vão gerar cerca de 2 megawatts de energia.

Boa parte desses projetos será concluída até o fim do ano. O restante, só depois da Copa. Mas, para Mckee, o objetivo é ter um edifício que, além de belo, crie a consciência sustentável em quem o visita. “A gente espera que as pessoas saiam do estádio com outra mentalidade, e que a arena sirva de grande legado, não só para o Brasil, mas para o mundo.”

*Vencedora do Prêmio Tetra Pak de Jornalismo Ambiental

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