Brasil quer aprender educação com outros países

O governo brasileiro quer aprender com a Coréia do Sul, Irlanda, Espanha, Malásia e Finlândia o que deu certo nas suas políticas de educação e o que pode ser aproveitado desta experiência. Estes países têm em comum o fato de, há cerca de 30 anos, terem estado com indicadores tão ruins ou piores do que os do Brasil atualmente. Para o ministro da Educação, Cristovam Buarque, isso mostra que é possível superar o atraso e desenvolver o País através da educação em algumas décadas, se forem feitos os investimentos corretos. O estudo destes casos de sucesso começou hoje (22), com o seminário Educação, Ciência e Tecnologia como Estratégias de Desenvolvimento.?O Brasil optou nos anos 50 pela industrialização e urbanização, apostando que isso resolveria, por si, os problemas da educação e da justiça social. Erramos, e está na hora de consertar estes erros?, disse Cristovam na abertura do evento, que reúne representantes dos cinco países mais o Brasil, sob coordenação da Unesco e ministérios da Educação e da Ciência e Tecnologia. ?Alguns países fizeram opção diferente: investiram na educação e ficaram mais ricos e justos?, comparou o ministro. ?Atiraram na educação e acertaram na economia.?A abertura do seminário teve também a participação do ministro Luiz Gushiken, da Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica, que fez deferência especial a Cristovam, além do senador petista Aloísio Mercadante (SP). ?Ele é o ministro a quem eu mais recorro para discutir questões estratégicas, porque é na área dele que estão estas questões?, disse Gushiken. Mercadante retomou o tema do compromisso de mudança do governo do PT ? mote de recentes críticas de Cristovam ao próprio governo Lula ? e afirmou que ?não há mudança se não houver educação associada a desenvolvimento com ciência e tecnologia?.Problema estruturalA relação com a capacidade de produzir mais e melhor, dando competitividade ao País, dá à educação o status de ?maior problema estrutural? brasileiro, segundo Mercadante. Ele lembrou que o Brasil tem déficit de US$ 7 bilhões anuais na balança comercial dos componentes eletrônicos e precisa formar investir na formação de profissionais qualificados para esta e outras áreas, como a de software, química fina e mesmo em tecnologias para a agricultura.Países como a Coréia mostram um crescimento vertiginoso no acesso à educação, sobretudo no ensino superior. ?O número de alunos matriculados nos institutos de educação superior aumentou de 7.819 em 1945 para 3.500.560 em 2001?, disse em sua apresentação o professor Yun-Kyung Cha, da Universidade de Hanyang. O acesso à escola fundamental e média na Coréia, disse ele, está em quase 100%. A Coréia investe atualmente 6,8% do seu PIB em Educação (recursos públicos e privados) contra 5,1% no Brasil (dados de 1998).Para chegar nestas cifras, Coréia e outros países em estágio de desenvolvimento semelhante ao do Brasil contaram com boa dose de planejamento. ?São os governos que têm a responsabilidade de fazer a educação melhor?, disse Ana Benavente, vice-presidente do Escritório Internacional de Educação da Unesco. ?Os obstáculos são difíceis, e por isso é importante conhecer a experiência dos que já os ultrapassaram?, afirmou Jorge Werthein, representante da Unesco no Brasil e um dos principais articuladores do evento.

Agencia Estado,

22 de setembro de 2003 | 20h59

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