Prefeitura de Morro da Fumaça
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Brasil pode perder ganhos em educação, afirma professor

Estagnação em anos de estudo está ligada à falta de investimentos na educação básica para população já adulta

Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2018 | 06h00

SÃO PAULO - Salomão Ximenes, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), diz que a estagnação na área de educação reflete o que outros indicadores já haviam retratado - como a nota do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), divulgada no mês passado, que mostrou que pela terceira vez seguida o País não conseguiu atingir as metas de qualidade fixadas pelo governo federal para as séries finais do ensino fundamental (do 6.º ao 9.º ano) e do médio.

“Minha preocupação é que essa estagnação pode significar uma reversão do progresso lento que tivemos, por causa da queda de investimentos na área”, diz Ximenes. O professor ressalta ainda que a estagnação na média de anos de estudo é uma consequência da ausência de programas de educação para a população adulta. “Temos uma quantidade grande de jovens adultos, de 19 a 29 anos, que sequer concluiu o ensino fundamental ou médio. E não estamos olhando para essas pessoas.” 

Relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgado nesta semana, mostra que 52% dos adultos brasileiros, com idade entre 25 e 64 anos, não têm diploma do ensino médio. Amanda Stephanie Silva, de 25 anos, não concluiu o ensino médio na idade certa. Ela saiu de Maceió aos 16 anos para morar com o pai em São Paulo e largou os estudos para trabalhar. “Tinha 17 anos e estava no 1.º ano do ensino médio. Precisava trabalhar para me manter aqui e não encontrei vaga em nenhuma escola perto da minha casa para estudar de noite.” 

Aos 22 anos, com dificuldade de conseguir emprego, ela decidiu tentar a certificação pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Conseguiu no segundo ano que prestou. “Pensava que, com o ensino médio, conseguiria um bom emprego. Mas agora vejo que preciso ter faculdade para ter um bom salário. O problema é que não consigo nem pagar nem entrar em uma pública”, afirma a jovem, que trabalha como vendedora. 

Saúde

Professor da Faculdade de Medicina Preventiva da Universidade de São Paulo (USP), Mario Scheffer diz que, apesar da pequena melhora no indicador de esperança de vida ao nascer, o País tem recebido alertas importantes para a saúde, que podem levar a uma reversão da melhora recente. “A melhora desse indicador é um reflexo dos últimos 30 anos de investimento no SUS, mesmo com todos os problemas e dificuldades do sistema. Mas algumas melhorias, conquistadas com muito esforço, estão se perdendo. Haja visto a redução da cobertura vacinal e o aumento da mortalidade infantil e materna registrados nos últimos dois anos.” 

Renda

“Esse IDH ainda é de um ano em que tivemos um pequeno crescimento do PIB, mas estamos vindo de dois anos de uma retração muito grande, com a maior queda histórica do PIB. É natural que o indicador mostre essa degradação. Por se tratar de uma crise doméstica, e não externa, a gente está perdendo a oportunidade de alcançar os países desenvolvidos”, diz o economista Bruno Lavieri, da 4E Consultoria.

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