26 de setembro de 2018 | 11h31
Atualizado 26 de setembro de 2018 | 22h32
SÃO PAULO - O Brasil tem seis universidades a menos classificadas entre as mil melhores do mundo, segundo o ranking divulgado anualmente pela publicação britânica Times Higher Education (THE), um dos principais em avaliação do ensino superior. É o segundo ano consecutivo que o País perde espaço na lista. Na edição deste ano, são 15 brasileiras ante 21 no ano passado e 27, em 2016.
Phil Baty, diretor editorial da publicação, diz que a saída de instituição entre as mil melhores alerta para um "quadro sombrio" no Brasil, com os cortes no financiamento. "Você simplesmente não pode alimentar instituições de pesquisa de nível mundial com cortes de financiamento, e os sérios problemas econômicos enfrentados pelo Brasil não são um bom presságio para o futuro. O declínio de financiamento e os declínios no ranking podem alimentar um círculo vicioso, com os talentos saindo do país. O Brasil precisa encontrar uma maneira de obter recursos vitais em suas universidades, públicas ou privadas, para revitalizar o sistema e conter o declínio”.
A Universidade de São Paulo (USP) segue como a primeira do País, em um grupo que está entre 251 e 300 melhores universidades. Após a posição nº 200, o ranking deixa de considerar as instituições de forma unitária e passa a considerá-las por grupos. No ano passado, a universidade também estava neste grupo, embora a pontuação tenha tido ligeira melhora em itens como ambiente de ensino, impacto das citações e perspectiva internacional. O que pesou para a universidade foi a queda da pontuação de pesquisa, segundo informa a equipe da THE, em nota.
A Unicamp é a segunda instituição brasileira melhor classificada, como no ano passado. Apesar da ligeira melhora na pontuação geral, também teve queda na avaliação em pesquisa.
Apesar de ter menos universidades entre as mil melhores, a presença do Brasil no ranking foi maior neste ano (com 36, ante 32 no ano ano passado) já que a edição classificiou 1,1 mil instituições. Para isso, foram ranqueadas 1.250 universidades de 36 países.
A avaliação do THE utiliza informações como número de citações em pesquisa, o nível de internacionalização, o grau de titulação dos professores, a transferência de conhecimento para a sociedade e outros aspectos.
Dentre as que saíram do ranking das mil melhores, estão as universidades federais do Ceará (UFC), do Rio Grande do Norte (UFRN), de Pernambuco (UFPE) e de Itajubá (Unifei). Também saíram as universidades estaduais do Rio de Janeiro (UERJ) e de Ponta Grossa (UEPG).
Em nota, o Ministério da Educação (MEC) diz que neste ano não houve cortes para as universidades federais e diz que, mesmo com as "limitações orçamentárias que o País enfrenta". não falta recurso para as instituições. "A expansão das universidades federais ocorreu sem a devida mensuração sobre o impacto futuro. Isso fica evidente ao analisar os gastos de pessoal, que comprimem os recursos de investimento e custeio das instituições", disse.
Já o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) disse, em nota, que tem atuado junto à equipe econômica do Governo Federal para maior disponibilização de recursos para seu orçamento, que são prontamente repassados a seus institutos e unidades de pesquisas. "No cenário de restrições orçamentárias, o MCTIC mantém ainda permanente diálogo com os gestores de suas entidades vinculadas para que os recursos sejam otimizados, minimizando o impacto em suas atividades", afirmou.
Nome da Instituição de Ensino Superior | Posição no ranking global de 2019 | Posição no ranking global de 2018 |
---|---|---|
Universidade de São Paulo | 251-300 | 251-300 |
Unicamp | 401-500 | 401-500 |
Universidade Federal de Minas Gerais | 601-800 | 601-800 |
Universidade Federal do Rio de Janeiro | 601-800 | 601-800 |
Universidade Fderal do Rio Grande do Sul | 601-800 | 601-800 |
Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) | 601-800 | 501-600 |
Pontifícia Universidade Católica do Tio de Janeiro (PUC-Rio) | 601-800 | 601-800 |
Universidade de Brasília | 801-1000 | 801-1000 |
Universidade Federal do ABC (UFABC) | 801-1000 | 601-800 |
Universidade Federal da Bahia | 801-1000 | NR |
Universidade Federal de Pelotas | 801-1000 | 801-1000 |
Universidade Federal de Santa Catarina | 801-1000 | 801-1000 |
Universidade Federal de São Carlos | 801-1000 | 801-1000 |
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) | 801-1000 | 801-1000 |
Universidade Estadual Paulista (UNESP) | 801-1000 | 601-800 |
Universidade Estadual do Ceará | 1001+ | NR |
Universidade Federal do Ceará (UFC) | 1001+ | 801-1000 |
Universidade Federal de Goiás | 1001+ | 1001+ |
Universidade Fderal de Itajubá | 1001+ | 601-800 |
Universidade Fderal de Lavras | 1001+ | 1001+ |
Universidade Federal do Pará | 1001+ | NR |
Universidade Federal do Paraná (UFPR) | 1001+ | 1001+ |
Universidade Federal de Pernambuco | 1001+ | 801-1000 |
Universidade Fderal do Rio Grande do Norte (UFRN) | 1001+ | 801-1000 |
Universidade Federal de Santa Maria | 1001+ | 1001+ |
Universidade Tecnológica Federal do Paraná | 1001+ | NR |
Universidade Federal de Uberlândia | 1001+ | NR |
Universidade Federal de Viçosa | 1001+ | 1001+ |
Universidade Federal Fluminense | 1001+ | 1001+ |
Universidade Estadual de Londrina | 1001+ | 1001+ |
Pontifícia Universidade Católica do Paraná | 1001+ | 801-1000 |
Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) | 1001+ | 801-1000 |
Universidade do Vale do Rio dos Sinos | 1001+ | 1001+ |
Universidade Estadual de Maringá | 1001+ | 1001+ |
Universidade Estadual de Ponta Grossa | 1001+ | 801-1000 |
Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) | 1001+ | 1001+ |
O Estado mostrou neste mês que, de olho nos rankings internacionais, as universidades estaduais paulistas criaram “núcleos de inteligência” para monitorar a própria performance acadêmica. São escritórios ou comissões que fazem a ponte com as agências responsáveis pelas principais avaliações e dão dicas práticas a pesquisadores sobre como melhorar a visibilidade das publicações científicas. Juntas, as Universidades de São Paulo (USP), Estadual de Campinas (Unicamp) e Estadual Paulista (Unesp) participam também de um projeto para criar as próprias medidas de desempenho.
A reportagem mostrou que, ligados a publicações ou consultorias estrangeiras, os principais rankings foram criados na década passada. Só recentemente começaram a ganhar atenção no País, depois que a USP apareceu pela primeira vez, há oito anos, em um deles. Hoje, as três estaduais têm boas posições ante as demais da América Latina, mas ainda estão bem longe do topo, ocupado pelas elites britânica (como Oxford) e americana (Stanford, por exemplo), e perdem para colegas emergentes (como a Universidade de Pequim).
Em junho, a USP criou o Escritório de Gestão de Indicadores de Desempenho Acadêmico, que “assumiu o papel de interlocutor institucional da USP com todos os rankings acadêmicos internacionais aos quais a universidade se encontra afiliada”.
Na Unesp, uma comissão de rankings, criada no ano passado, já estabelece rotinas de coleta de dados. Na Unicamp, o monitoramento é feito pela Pró-reitoria de Desenvolvimento Universitário.
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