Brasil e Haiti comparam seus sistemas educacionais

Os reitores das universidades de São Paulo e do Haiti expuseram as barreiras da educação em seus países

Efe

06 de junho de 2008 | 16h23

Enquanto o Brasil ganha dez mil novos médicos por ano, no Haiti mais de um milhão de crianças entre seis e 12 anos não podem ingressar à escola básica, revelaram nesta sexta-feira, 6, reitores de universidades dos dois países em uma conferência sobre educação realizada na Colômbia. No encontro, os acadêmicos disseram que o Brasil luta há anos por descentralizar a educação superior e o Haiti tenta empreender uma batalha que impeça a "fuga de cérebros" em um país com uma das mais baixas taxas de escolaridade. Os reitores das universidades de São Paulo e do Haiti, Suely Vilela Sampaio e Jacky Lumarque, respectivamente, expuseram as barreiras e fragilidades da educação em seus países. Suely e Lumarque participam em Cartagena, norte colombiano, da Conferência Regional para Educação Superior (CRES) 2008, realizada desde quarta-feira, 4, e que termina nesta sexta, 6. A reitora da Universidade de São Paulo assinalou que o Brasil "investiu muito na formação de médicos" e se declarou convencida de que é preciso "transformar esse conhecimento em riqueza para melhorar a qualidade de vida da população". Porém, se queixou também que, no Brasil, acontece a fuga de cérebros, mas que há uma legislação que estimula o retorno dos estudantes. A reitora também se declarou partidária de estabelecer na região um "ranking" para "mostrar ao mundo a qualidade" das universidades brasileiras. O professor Lumarque, após reconhecer as "singularidades" de seu país, admitiu que há "desafios enormes não só em educação superior" e explicou que "o país não foi capaz de assegurar a oferta de direito de bem público" nem sequer no ensino primário. "É um desafio enorme. O Estado se caracterizou por essa deficiência enorme na oferta educativa" e em muitos casos está em mãos privadas, disse Lumarque. Segundo o acadêmico do Haiti, boa parte do número de instituições de educação superior é privada, mas há deficiência de regulação do Estado por falta de um marco legal. "Por exemplo, o Ministério da Educação não pôde credenciar mais de 20% das escolas privadas e isso também é um desafio maior", se lamentou o acadêmico haitiano. Lumarque denunciou que "80% dos profissionais mais qualificados deixam" o país, a maioria rumo ao Canadá. A reunião de Cartagena, que é preparatória da conferência mundial de educação superior que será realizada em 2009 em Paris, contou com a participação de cerca de 3.500 delegados, 25 ministros e vice-ministros de Educação, reitores e dirigentes de instituições de ensino superior.

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